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Quem botou os contos de fadas de ponta-cabeça? - Blog da Letrinhas

Quem botou os contos de fadas de ponta-cabeça?

 

Se três porquinhos rendem muita história, calcule o que podem aprontar 33? E se a Chapeuzinho fosse uma menina gulosa, fã de bisteca de lobo? O que aconteceria se a madrasta da Branca de Neve tivesse um espelho mentiroso? E se Cinderela calçasse botas de borracha em vez de sapatinhos de cristal? Agora, já imaginou se a casa de doces dos irmãos João e Maria fosse feita de... brócolis, cenoura e chuchu?

Os escritores José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta já imaginaram isso e muito mais na coleção Fábrica de fábulas, que brinca com diferentes modos de contar uma mesma história. Depois de colocar de ponta-cabeça os reinos de Branca de Neve, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, eles acabam de lançar uma nova versão para a princesa que fura o dedo na roca e cai num sono profundo: As belas adormecidas (e algumas acordadas), com divertidas ilustrações de Mariana Massarani.

 

 

Na versão da dupla, a Bela Adormecida pode virar Aquecida, Agradecida, Esquecida ou Estremecida, a depender do próprio leitor que, como num jogo, escolhe os rumos da narrativa. Ou melhor, das narrativas. A história é contada de diferentes formas, com personagens inusitados, como um príncipe sertanejo, um alienígena e até um catador de minhocas.

Há alguma receita para recontar uma história? “A receita é não repetir a receita”, diz Torero, de pronto. “E trocar ingredientes, assar em vez de cozinhar, pôr na geladeira em vez de pôr no fogão. Mas eu não tentaria isso com um bolo”, brinca Pimenta.

A seguir confira um bate-papo com os autores que, assim como acontece na escrita a quatro mãos que desenvolvem, respondem de forma complementar – e bem direta, na lata, sem rodeios nem firulas.

 

 

Quando foi que vocês decidiram dar novas formas para os tradicionais contos de fadas? E por que contos de fadas?

Torero – Estávamos sem nenhuma ideia. Então um dos dois sugeriu: vamos plagiar alguém? E o outro topou na hora.


Pimenta – Na verdade, não fomos nós que decidimos. Foi uma imposição. Um dia, uma fada chamada Fafá apareceu em nosso escritório e disse que estava enjoada das versões tradicionais. Ela queria ler coisas novas e falou que, se não escrevêssemos uma nova versão por ano, seríamos transformados em abóboras. Como não gostamos de abóbora, estamos escrevendo.   

 

Desde os anos 70, diversos autores viraram o mundo dos contos de fadas de ponta-cabeça. Há obras que são referenciais ou que inspiraram vocês a também recontarem histórias?

Torero – Chapeuzinho Amarelo, do Chico Buarque.


Pimenta – Fita verde no cabelo, de Guimarães Rosa. 

 

Como é que vocês se encontraram e descobriram que juntos eram uma fábrica de boas ideias? E como funciona a escrita a quatro mãos?

Torero – Um escreve as vogais, o outro, as consoantes.

Pimenta – Depois um põe as vírgulas e o outro, os pontos. Só é chato quando aparece ponto e vírgula.
 

 

Têm alguma receita para recontar uma história? O que é recontar uma história?

Torero – A receita é não repetir a receita.  


Pimenta – E trocar ingredientes, assar em vez de cozinhar, pôr na geladeira em vez de pôr no fogão. Mas eu não tentaria isso com um bolo.

 

O humor é um grande aliado dos recontos de vocês. Ele é elemento fundamental para garantir um diálogo maior com a criança leitora? Por quê?



Torero – Sim, porque crianças são engraçadas.

Pimenta – E humor com humor se paga.

 

A coleção estimula as crianças a criarem outras histórias além daquelas dos livros. O que a criança ganha e aprende ao tomar decisões nas histórias e também ao criar outras?



Torero – Acho que a criança aprende que as histórias podem ser reescritas.

Pimenta – Inclusive a sua própria história.

 

O que vocês recriam no cotidiano (em casa, no trabalho, com os filhos)?



 Torero – Na cozinha de casa há muita recriação. Um arroz pode virar bolinho de arroz, um frango assado depois de dois dias vira frango desfiado.


Pimenta – Aqui, camisas velhas viram pijamas. 
 

 

Nas visitas às escolas, como percebem a conexão das crianças com os contos de fadas? Tem uma faixa etária mais ligada aos contos de fadas ou essas histórias tratam de tantas questões e arquétipos que superam esse enquadramento?

Torero – O uso da coleção é mais flexível do que o esperado.

Pimenta – Pensamos que seria para uma turma de 7 ou 8 anos, mas pega alguns mais velhos e outros mais novos.  

 

Que livros ou personagens ainda gostariam de recontar?

Torero – Gostaria de contar uns pedaços da história do Brasil.

Pimenta – A gente também vive pensando na turma do folclore brasileiro. Quem sabe?

 

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