Para refletir sobre a prática da leitura

Um espaço para reflexões sobre a formação de leitores e a mediação de leitura nas escolas e espaços educativos. É com essa intenção que a série Práticas de Leitura na Escola foi criada e seu terceiro episódio acaba de ser lançado. Parceria entre a Companhia das Letras e o Instituto Avisa Lá, os vídeos são exibidos na página do YouTube da editora. Neste terceiro capítulo, que pode ser visto abaixo, o vídeo trata da “Conversa em torno da leitura – Rodas apreciativas”. Mas há muito ainda por vir: o projeto prevê três séries de seis capítulos cada. Confira abaixo mais informações sobre a iniciativa, como ela pode ajudar nessa época de isolamento social e de ensino online e como os professores podem se apropriar das ferramentas digitais no ensino.

 

 

O projeto Práticas de Leitura na Escola vem sendo desenhado desde 2018 e estreou oficialmente em outubro de 2019, em uma homenagem ao dia do professor, com uma reflexão sobre a leitura enquanto arte. Seu segundo capítulo fala sobre a leitura pelo professor como uma atividade permanente na escola. Os próximos temas serão “Quando os alunos escolhem as leituras”, “Sessões simultâneas de leitura” e “Clubes de leitura”. Para a segunda fase, serão trabalhados os gêneros textuais. Cada episódio tem indicações de livros e ideias para mediação, bem como outros recursos para fornecer subsídios teóricos ao professor.

“Conversávamos bastante sobre como formar professores leitores e as dificuldades de aprofundar a leitura, de sair da chave didática e pedagogizada com a literatura. Dar um passo além no uso instrumental da literatura é imprescindível para a formação de leitores engajados, proficientes e perenes”, comentam Rafaela Deiab e Débora Medeiros, do Departamento de Educação da Companhia, sobre como começou essa parceria com o instituto. Ao que Ana Carolina Carvalho, formadora do Avisa Lá, complementa: “Quisemos amparar os educadores, trazendo não só reflexões, mas discutindo sugestões de como organizar o trabalho com a leitura na escola, de forma que este seja um ambiente leitor de verdade”.

Os vídeos foram concebidos como uma conversa de educador para educador e ambientados em diferentes instituições educacionais. “Esperamos que o espectador sinta-se como nós: encantados e privilegiados de ver as crianças tão imersas em seus livros e em apreender ferramentas fundamentais para engajá-las a adentrar no universo e imaginário da literatura”, comenta Joyce Prado Almeida, da Oxalá Produções, que produz e grava os vídeos.

Quer saber como esses vídeos podem ajudar nesse período de isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus? Leia a entrevista abaixo:

 

De que forma o projeto pode auxiliar os educadores e as escolas?

Rafaela Deiab e Débora Medeiros (Cia. das Letras) - Gostaríamos que, ao assistir a esses vídeos, qualquer pessoa, principalmente aquelas que se dedicam à educação de crianças e jovens, repensem sua própria prática leitora, percebam que, enquanto leitor mais experiente, seus comportamentos de leitura são exemplos para os outros e que desenhem sua mediação considerando seus alunos e objetivando a consolidação deles enquanto leitores. Para além de enfatizar a importância da leitura para a formação humana, para a ampliação da visão de mundo e para a construção de novos mundos.

Ana Carolina Carvalho (Avisa Lá) - Concebemos vídeos que pudessem ser vistos diretamente por quem está na sala de aula ou nas bibliotecas, salas de leitura etc. Ou seja, que fossem um apoio direto às práticas de leitura e ao planejamento do trabalho com formação de leitores; mas também que servissem como material formativo, para ser usado, por exemplo, em horas de trabalho pedagógico coletivo ou reuniões pedagógicas. Ou seja, vídeos que apoiassem o trabalho daquele que está formando professores ou mediadores de leitura. E já temos notícias de que isso está acontecendo tanto em escolas particulares como públicas: os vídeos hoje são potentes ferramentas de formação se desencadearem reflexões aos grupos de formação que os utilizam.

 

Com essa pandemia, muitas escolas e educadores estão tendo de desenvolver conteúdo online para os alunos. Como a série pode ajudar nesse momento?

Rafaela e Débora - Os episódios 2 e 3, especificamente, podem servir como estímulo para a organização de um plano de leituras mesmo que virtuais, pelo professor para e/ou com os alunos e posteriores conversas, que podem acontecer por plataformas digitais (como Zoom e outras) sobre as leituras com as crianças, entendendo que a conversa sobre a leitura oferece a possibilidade de as crianças se expressarem, ouvir opiniões diferentes, repensar suas opiniões. E, neste momento, a escolha dos títulos é ainda mais importante, pois pode suscitar a reflexão sobre as responsabilidades, medos e esperanças individuais e coletivas. Pode também ser uma chance de convidar os cuidadores dessas crianças a participar dessas rodas virtuais de leitura e conversa.

 

"A inclusão digital é necessária, trata-se de algo que não tem volta e que precisa estar presente em nosso universo" (Ana Carolina Carvalho, formadora do Avisa Lá)

 

Nesse momento, em especial, percebemos o quanto é importante que os professores saibam tirar proveito das ferramentas online. Considerando a experiência do Avisa Lá com formação a distância, de que maneira essas ferramentas podem ser usadas para melhorar a educação?

Ana Carolina - Trabalhamos há quase vinte anos com formação a distância. Para nós, isso sempre significou uma forma de ter maior abrangência do trabalho. Há que se conciliar a disponibilização de conteúdos, com interatividade e possibilidade real de uma atuação na prática profissional. Sabemos que o estudo ou a formação a distância traz desafios tanto para aquele que forma como para quem é formado, não é simplesmente transpor uma prática presencial ou um repasse de conteúdos em um formato digital. Se for só isso, não dá certo. As plataformas online estão há anos entre nós, mas agora estamos nos dando conta de que pouco as utilizamos, ou acabamos por utilizá-las de forma muito tímida. Ainda há muita gente que torce o nariz para elas, que acha o ensino a distância muito complicado, mas a inclusão digital é necessária, trata-se de algo que não tem volta e que precisa estar presente em nosso universo. Pensamos que essa pandemia e a necessidade de distanciamento social poderá trazer reflexões importantes, até para as escolas e redes repensarem como têm organizado a formação de leitores e escritores no mundo digital. Há que se incluir todos. 

 

O que vocês recomendariam aos professores que tentam se adaptar agora a essa exigência de educação online?

Ana Carolina - Acreditamos muito na construção do conhecimento como um processo em que o sujeito da aprendizagem está completamente implicado. Com essa premissa, há que se ter o cuidado de não privilegiar práticas transmissivas, em que o professor ou professora fala para um grupo ouvinte. É preciso que se pense em ações que possam envolver ativamente os alunos, que eles possam participar de fóruns de discussões, por exemplo, que possam realizar ações no ambiente doméstico, com autonomia. Há que se ter o cuidado também de não demandar que a família ocupe o lugar da escola nesse momento. Não se pode confundir os papéis. As famílias podem apoiar as iniciativas da escola por meio da valorização do material e propostas enviadas, organizando tempo e espaço para que o aluno desenvolva as atividades, sugerindo locais na internet para uma pesquisa. Por outro lado, a escola deve se preocupar em reforçar os vínculos, em oferecer propostas instigantes e práticas que, de fato, as crianças possam se organizar com autonomia para realizar. 

 

Além da série, de que outra forma o Departamento de Educação da Companhia das Letras oferece apoio aos educadores e alunos?

Rafaela e Débora - Na Sala do professor é possível realizar buscas cruzadas de ano escolar e tema para chegar a nossas indicações de títulos, lá estão disponibilizadas as versões digitais dos Catálogos Letrinhas e Companhia na Escola, materiais de apoio como guias de leitura de obras específicas, folhetos sobre autores, artigos de temáticas importantes na educação e pontes para o Blog da Letrinhas e o hotsite do PNLD, fonte importante de materiais principalmente para professores da rede pública. Além disso, há cerca de um mês lançamos as páginas @companhianaeducacao no Instagram e no Facebook. Nelas estamos, diariamente, apresentando materiais e ferramentas educacionais físicas e virtuais, indicando leituras segmentadas por ciclo escolar, informando sobre e-books gratuitos com perfil escolar, divulgando contações de história e outros itens que consideramos importantes para acolher e embasar o educador não apenas neste momento, mas um canal que possa ser consultado futuramente.

 

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