Para quem procura livros indispensáveis para a escola

 

Como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) já divulgou a lista de obras selecionadas para 2020, as escolas podem se organizar para conhecer obras a serem incluídas em planos de aula futuros. Por aqui, descubra algumas dicas de como elaborar projetos pedagógicos com os títulos do Grupo Companhia das Letras selecionados pelo PNLD 2020 para os 8º e 9º anos. Você também pode conferir um site especial que traz material de apoio exclusivo para educadores, feito em parceria com a Comunidade Educativa CEDAC.

Confira ainda a lista das obras voltadas aos alunos dos 6º e 7º anos

Categoria 2 – 8º e 9º anos 

 

Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil  

 

Maria Felipa de Oliveira; Ilustração Laura Athayde

 

Escrito pelas jornalistas Duda Porto de Souza e Aryane Cararo, este livro é uma espécie de almanaque de grandes mulheres da história do Brasil, aquelas que raramente são citadas por outras obras. Totalizando 45 biografias, o resultado de uma pesquisa que abrange um período desde o século XVI até os dias de hoje, o livro está de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao promover a empatia e contribuir para o reconhecimento de formas diversas de ser e estar no mundo. Ao colocar as mulheres como protagonistas, pode servir como gancho para uma atividade interdisciplinar envolvendo história, a partirdo seguinte questionamento: "Por que faltam registros da participação feminina em grandes episódios da história brasileira?". A obra ainda proporciona uma discussão sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea.

 

Anne Frank: A biografia ilustrada em colaboração com a Casa de Anne Frank

 

Ilustração Ernie Colón

 

Apesar de contar uma história mundialmente conhecida, esta edição traz uma outra abordagem. Recupera as lembranças de Anne Frank a partir de uma história em quadrinhos. A graphic novel criada pelos americanos Sid Jacobson e Ernie Colón, em parceria com a Casa de Anne Frank, reúne dados que precedem a vida da jovem judia e superam o período de sua morte. O texto em tom confessional do diário dialoga com o contexto histórico da época, marcado pelos eventos do nazismo e seu impacto na vida das pessoas. Assim, a biografia ilustrada pode servir como ponto de partida para começar conversas sobre respeito, igualdade e direitos humanos, além de apresentar possibilidades potentes para o estudo de mapas – largamente usados para a contextualização dos acontecimentos no livro.

 

O poder ultrajovem

 

Foto Rene Burri

 

A obra é um compilado de escritos (em prosa e verso) de Carlos Drummond de Andrade sobre os mais variados aspectos da vida e da sociedade do final dos anos 1960, início dos 1970. Pelo olhar de um narrador reflexivo e minucioso, o leitor entra em contato com o caráter dual das crônicas. Ao mesmo tempo em que elas apresentam uma linguagem acessível e aparentemente simples, quando lidas em conjunto com os poemas, apontam uma complexidade que extrapola o limite do próprio gênero e deixa-se contaminar pelo lirismo poético. Assim, O poder ultrajovem, por estabelecer a crônica como gênero principal, fica em um limiar entre jornalismo e literatura. E dessa forma vai ao encontro ao que propõe a BNCC para os anos finais do ensino fundamental, que pede o estudo "dos gêneros que circulam na esfera pública, nos campos jornalístico-midiático e de atuação na vida pública”.

 

Aos 7 e aos 40

 

 

Capa Cláudia Espínola de Caravalho

 

Aos 7 e aos 40 é um romance que relata dois momentos da vida do protagonista: a infância e a fase a adulta. O narrador se utiliza das características de cada um desses momentos para brincar com a linguagem. Quando relatado os 7 anos, uma escrita poética e leve. Já nos 40, a narrativa mais fragmentada condiz com acontecimentos dolorosos da vida: o divórcio, o distanciamento do filho. É uma obra interessante para tratar com estudantes de 8º e 9º anos por se inserir no que é chamado literatura crossover, ou seja, destinada ao mesmo tempo para jovens e adultos. Permite que o adolescente vá além de sua identidade psicológica e que o adulto não se sinta infantilizado durante a leitura. Pensando as possibilidades interdisciplinares, a obra pode ser incluída em um projeto com artes, em que os alunos entrevistam pessoas mais velhas para contarem sobre sua infância e compartilharem alguma perspectiva ou sonho para o futuro.

 

O menino negro

 

Capa Alceu Chiesorin Nunes

 

Ao contrário da biografia, que se preocupa com a exatidão dos fatos, narrados em ordem cronológica, um livro de memórias se preocupa mais em proporcionar uma experiência estética fluida ao leitor. No caso de O menino negro, escrito pelo guineano Camara Laye, a linguagem utilizada se aproxima da oralidade e, nesse sentido, dos mitos e lendas tradicionais da Guiné. Parte da história é contada em Paris, onde o menino vai estudar. E pode gerar debates sobre deslocamentos populacionais, o resgate identitário e instabilidade social. A partir de trechos do livro, também é possível estabelecer relações com a geografia e tratar de temas como urbanização, as diferenças do trabalho no campo e na cidade e a percepção dos avanços tecnológicos ocorridos desde a data em que a obra foi publicada (1953).

 

O amor nos tempos do blog

 

Trecho retirado do livro

 

Simulando os mecanismos de postagens em blogs, a forma da história ser contada nesta obra lembra o que antes representavaa troca de cartas. A estrutura da narrativa, sempre focada em um narrador em primeira pessoa, garante um ritmo bem intenso de leitura. O autor Vinicius Campos coloca em primeiro plano a experiência do personagem Bernardo (ou Ariza em Silêncio, como assina em seu blog) enquanto adolescente inseguro e em um momento de transformação. Só depois disso o leitor descobre sobre a experiência dele enquanto deficiente auditivo. Essa questão torna o texto mais rico, traz a temática do encontro com a diferença. Em um paralelo com outras disciplinas, o livro pode ser discutido a partir de uma perspectiva histórica sobre a construção do preconceito contra a comunidade surda.

 

A menina sem palavra

 

Capa Retina 78

 

Nesta obra que reúne dezessete contos, Mia Couto compõe um panorama do universo infantil em Moçambique. Tratando questões comoa complexidade das relações familiares no país,o trabalho infantil e os resquícios da luta pela independência. A prosa poética do autor –percebida, em alguns contos, por períodos curtos, que causam efeito estético semelhante ao dos versos de um poema – podem alimentar discussões interessantes em sala de aula. Os estudantes também podem refletir sobre a maneira como alguns temas (morte e violência, por exemplo) são tratados por meio da fantasia. Ao analisar fatores geopolíticos que incidem sobre a guerra civil moçambicana, tais como a descolonização da África e os desdobramentos da Guerra Fria, a obra adquire interpretações interdisciplinares.

 

Uma mulher chamada guitarra: Crônicas escolhidas de Vinicius de Moraes

 

Capa Retina 78

 

Um dos grandes expoentes da segunda geração do Modernismo, Vinicius de Moraes escreve sobre a infância e as memórias do Rio de Janeiro neste livro de crônicas. Sendo também um dos fundadores da bossa nova, ao lado de Tom Jobim e João Gilberto, é curioso perceber a musicalidade no seu texto em prosa, marcada, em “Para viver um grande amor”, por exemplo, pela repetição de orações. Atentar os estudantes para esse recurso poético ajuda a expandir o repertório criativo deles. Analisar as crônicas do poeta comparadas à fotografia, como registro de uma época, também é uma forma de compreender como se davam as relações sociais no período em que foram escritas. Tal linguagem imagética pode servir de ideia para um projeto interdisciplinar, no qual os alunos fotografem detalhes do cotidiano.

 

Informe do planeta azul: E outras histórias

 

Capa Retina 78

 

Uma antologia com mais de quarenta textos que aborda situações triviais do dia a dia no tom bem-humorado de Luis Fernando Veríssimo. É justamente o humor e os recursos de linguagem que tornam Informe do Planeta Azul: E outras histórias um conteúdo rico para ser trabalhado em sala de aula. O assunto? O cotidiano, que, contado pelas palavras certas, pode se tornar hilário. A compreensão dos níveis mais profundos do texto exigem uma percepção crítica de um leitor mais experiente e por isso o livro é adequado para os anos finais do ensino fundamental. A leitura compartilhada da obra, em que os estudantes possam trocar sobre episódios de suas vidas e comentar as crônicas, ajuda a experimentar a dimensão socializadora da literatura. Como continuidade dessa leitura compartilhada, um exercício de encenação, que articule língua portuguesa e artes, pode ser proposto. 

 

Chapeuzinho Esfarrapado: E outros contos feministas do folclore mundial

 

Ilustração Bárbara Malagoli

 

Para quebrar a ideia de que a mulher precisa sempre ocupar o lugar de donzela indefesa, esta coletânea traz contos de diversas partes do mundo – do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão – em que as mulheres são as heroínas da história. Considerando o livro como porta de acesso ao imaginário, "Chapeuzinho esfarrapado é uma obra guardiã da memória e da oralidade por meio de contos de tradição popular", explica Fernanda Araújo de Paula (CEDAC) no Manual do Professor. Nesse sentido, a obra pode ajudar a trazer assuntos como os de ancestralidade e reconexão às raízes, assim como aprópria questão de gênero, já explícita no título do livro, e que pode ser contraposta à representação da mulher em contos de fada clássicos. Discutir sobre o país de origem de cada conto pode ser uma boa ideia para um diálogo entre língua portuguesa e geografia.

 

Uma garrafa no mar de gaza

 

Imagem da capa retirada do filme; Crédito: Photos TS Productions 2011

 

Um romance sobre a vida de uma adolescente que, assim como muitas garotas de dezessete anos, tem suas primeiras experiências amorosas, políticas e sociais. Tal, a protagonista deste livro, no entanto, é israelense e experienciouo primeiro atentado. Depois disso, começa a trocar mensagens com um garoto palestino (Naim), que, a princípio, era só uma ideia sem endereço definido a quem uma garrafa no mar poderia chegar. A obra pode ser um bom exercício para o aluno perceber como se encadeiam essas diferentes vozes narrativas na história e como as conversas mudam de tom à medida que os dois personagens vão se conhecendo. A própria autora da obra, Valérie Zenatti, viveu em Israel e isso é notado na maneira como descreve os ambientes e tem familiaridade com o contexto histórico, político e religioso do país. Levando em conta o aspecto mais humano, o livro é uma boa opção para tratar sobre empatia nos dias de hoje. 

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