Para criar meninos e meninas feministas

São muitas as questões a se pensar na criação de uma criança. E as discussões de gênero estão entre as que rapidamente saltam hoje na pauta dos pais preocupados em criar meninas e meninos autônomos, livres e felizes. Tal tema tem se desdobrado em livros, artigos e debates.

 

Imagem Pixaby

 

Neste semestre, a Companhia das Letras lançou o manifesto Para educar crianças feministas, da escritora nigeriana feminista Chimamanda Ngozi Adichie, muito conhecida por suas palestras “The danger of a single story” (O perigo de uma história única) e “We should all be feminists” (Todos deveríamos ser feministas). O livro é uma carta a uma amiga da autora que acaba de ter uma filha, com dicas para ensinar a recém-nascida a lidar com as questões de gênero com que ela certamente vai se deparar.

Mas e os meninos? O que estamos ensinando para eles? Por que ainda são mal vistos quando praticam atividades consideradas “femininas”? Por que são considerados fracos quando choram? E por que não podem brincar com bonecas ou usar cor de rosa?

Foi puxando questões como essas que a jornalista do The New York Times Claire Cain Miller conversou com neurocientistas, economistas e psicólogos para tratar da criação de meninos a partir da defesa da igualdade de gêneros. Essa pesquisa resultou em 12 dicas práticas, algumas delas semelhantes, inclusive, às do livro da autora nigeriana.

A jornalista americana e a escritora nigeriana abordam muito a importância de a criança ter modelos que a inspirem, de ambos os gêneros. Mulheres fortes e admiráveis, homens bondosos. Para além disso, é importante que mães e pais também sejam modelos para os seus filhos: que dividam as tarefas em casa, que leiam sobre mulheres e homens, que se manifestem quando presenciarem algum ato de injustiça.

Também é importante que a criança possa ser ela mesma. A menina deve ser livre para usar maquiagem e roupas da moda, se ela quiser, mas não deve ser forçada caso não se sinta confortável com isso. O mesmo para os meninos – devem poder ter contato com bonecas, por exemplo, mas também com brinquedos considerados “de menino”, como os carrinhos. Eles devem poder escolher de que realmente gostam, tanto quanto elas.

No caso dos meninos, há algumas especificidades apontadas por Claire, como a importância de ensinar “que não significa não”, com discurso e atitudes. Ao brincar com eles, por exemplo, pare de fazer cócegas ou parar com as lutinhas quando disserem “não”. Tal ensinamento irá sem dúvida se refletir na relação entre os meninos e as meninas.

Além disso, é importante que tenham afeto e respeito pelas garotas. Nunca use “garota” como um insulto, ou ainda “menininha”, como em “você corre como uma menininha”. Eles também devem ser incentivados a conviver com as meninas: segundo um estudo da Universidade do Arizona, crianças que brincam com amigos do sexo oposto aprendem a lidar melhor com resolução de problemas e comunicação.

Assim como as garotas, eles devem se sentir livres para chorar. A expressão faz parte da saúde mental das crianças: devem se sentir seguras para dizerem quando sentem medo, quando estão magoadas ou quando algo não está certo.

Por fim, o artigo sugere que é fundamental ensinar os filhos a cuidarem de si, fazerem tarefas domésticas como cozinhar e arrumar as camas. Mas é também indicado ensiná-los a cuidar dos outros, dos irmãos mais novos ou dos avós. Vale incentovarque ele seja tutor de outro aluno na escola, que faça sopa e traga àquele seu amigo doente. Esses atos, segundo o artigo escrito por Claire, aumentam a empatia e diminuem a agressividade.

O importante, para meninos e meninas, é que eles tenham liberdade para escolher aquilo que gostam e o que não gostam; tenham respeito ao próximo; tenham empatia ao diferente; tenham cabeça aberta para continuar questionando.

Para saber mais, leia o artigo completo do New York Times ou o livro Para educar crianças feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie.

 

 

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