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Livros para tratar de temas difíceis com as crianças - Blog da Letrinhas

Livros para tratar de temas difíceis com as crianças

 

Algumas situações não são fáceis para ninguém – nem para as crianças, que muitas vezes já enfrentam perdas e medos ou vivenciam desentendimentos e conflitos. É aí que alguns livros podem ajudar o leitor a adentrar temas acerca de situações difíceis, alguns ainda considerados tabus na infância, como morte, doença e guerra. Longe de colocar um ponto final nesses assuntos, diversas obras literárias ampliam rotas que permitem que a criança construa seus próprios sentidos e encontre as respostas que julga necessárias naquele momento.

É o caso de  Ernesto, de Blandina Franco e José Carlos Lollo, que fala de exclusão e bullying, sem uma saída clara e direta ao assunto. A obra convida o leitor a se aproximar do universo do personagem principal, vítima de discriminação. Outro livro da dupla aborda temas sensíveis: Eu não acho de jeito nenhum aborda, sobre desentendimentos e discordâncias.

Já a morte reverbera em obras como Greve de vida, de Amélie Couture, e A porta estava aberta, de Pauline Alphen, que também não têm a pretensão de solucionar o grande mistério que cerca a humanidade. Na pura narrativa de crianças que enfrentam situações desse tipo, as obras encontram uma expressão que extrapola a ideia da felicidade eterna na infância. Os autores trazem narrativas de crianças tristes, mostrando aos leitores que esse é, sim, um sentimento permitido na infância.

Esse jeito de perspectivas sobre temas que costumam ser desagradáveis e até evitáveis para alguns também está em O gato e o escuro, de Mia Couto, que transforma o medo em personagem, com questões e apreensões. O autor moçambicano escreve essa poética obra anti-medo, representado na narrativa pelo escuro, e direciona nossos olhares para dentro com o intuito de resolver os problemas que parecem estar do lado de fora.

Assim também acontece com O amor pega feito um bocejo, de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, que traz uma história de uma tia doente contada da perspectiva de uma criança que sonha, fantasia, imagina mundos para as loucuras da tia. O destino não poupa a parente do menino, mas a linguagem poética propõe um novo olhar para a loucura, a tristeza e a morte.

Confira abaixo a seleção que fizemos de obras que podem ajudar na investigação desses e outros temas tão desafiadores quanto urgentes.

 

Do que você tem medo?

 

Todo mundo tem medo de alguma coisa. Afinal, como diria Heloisa Prieto, medo e coragem são as duas faces da mesma moeda. Ela acredita tanto nisso que convidou diversos escritores para escrever histórias sobre esse tema, o medo, a apresenta-lo às crianças. Em O livro dos medos, elas podem entender melhor suas aflições em contos de autores como Milton Hatoum, Daniel Munduruku e até em uma fábula de Esopo.

 

Ernesto: feio, bobo, burro?

 

Todo mundo tem algo a dizer sobre Ernesto. Que ele é feio, burro, calado, diferente. É um sujeito solitário e triste. Mas será que alguém realmente conhece Ernesto? Qual final você daria para essa história? Conheça esse personagem em Ernesto, de Blandina Franco e José Carlos Lollo.

 

Uma guerra sem sentido

 

Ninguém lembra como começou a guerra dos Azuizinhos contra os Laranjinhos. Os dois povos resolveram até construir um muro que os separasse, tamanha a discordância. O conflito: o jeito certo de passar manteiga no pão. Manteiga em cima ou em baixo? Posto o dilema, declararam-se armas, fez-se a guerra. Para saber o desfecho dessa batalha, inspirada na Guerra Fria, confira o clássico A guerra do pão com manteiga, do americano Dr. Seuss.

 

As excentricidades de tia Cátia

 

Estaria a tia Cátia com as minhocas da cachola em confusão? Pois ela chorava por não querer ir para a escola, acreditava ser uma linda princesa, procurava a Lua nos bolsos do marido, que há anos tinha morrido. Em O amor pega feito um bocejo, os episódios de Cátia são contadas do ponto de vista de seu sobrinho – e pelos versos de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira. As ilustrações são de Rogério Coelho.

 

História marcada na pele

 

Silvinha fez um machucado que logo formou uma cicatriz. "Eu vou ficar feia para sempre!", ela lamentou. Com a ajuda de seus familiares, no entanto, a menina descobriu que uma cicatriz guarda histórias que contam quem a gente é e o que a gente já viveu. De repente, Silvinha sentiu até orgulho dessa marca impressa na pele. Essa história está no livro A cicatriz, escrito por Ilan Brenman, com ilustrações de Ionit Zilberman.

 

Um escuro preenchido com medos

 

Uma história contra o Medo: Pintalgato, um gato amarelo que gostava de brincar entre as fronteiras do dia e da noite. Em O gato e o escuro, escrito por Mia Couto e ilustrado por Marilda Castanha, ele avança a “noitidão” e se perde no breu. Sorte sua ter uma mãe que lhe expõe as ignorâncias do medo e as belezas do escuro, que se tornaria, então, um grande companheiro.

 

Por uma boa convivência

 

Eunãoacho e Dejeitonenhum tinham sérios problemas. Não conseguiam concordar em absolutamente nada. As discussões e os desentendimentos estavam afastando cada vez mais os dois amigos. Para descobrir como a dupla colocou as suas diferenças de lado, confira Eu não acho de jeito nenhum, de Blandina Franco e José Carlos Lollo.

 

Em busca das notas musicais

 

Imagina o caos de um lugar em que as canções desaparecessem, assim, sem mais nem menos. Pois foi o que aconteceu em Blufis, onde mora a pequena Nina. Na mesma noite em que o silêncio reinou, as crianças foram “desdormindo, desdormindo”, até que perceberam que algo deveria ser feito. Precisavam recuperar as notas, os timbres e os tons. Acompanhe o plano engenhoso das crianças desse lugar encantado em Quando Blufis ficou em silêncio, de Lorena Nobel e Gustavo Kurlat, com ilustrações de Marina Faria.

 

Um basta para a tristeza!

 

Lidar com a morte não é nada fácil. Os adultos querem que você esqueça ou saia pra brincar, mas você só quer ficar triste por um tempo. Esse é o caso da protagonista de Greve de vida, escrito por Amélie Couture e ilustrado por Marc Boutavant. A menina, que acaba de perder a avó, decide que não vai mais para a colônia de férias. Vai ficar trancada no seu quarto durante todo o verão – e não há ninguém que lhe convença do contrário.

 

A vida e os seus mistérios

 

O que é a vida? Quando começa e quando termina (será que termina)? Por que crescemos, mudamos, juntamos e separamos? O livro da vida, de Pernilla Stalfelt, expõe as crianças a essas questões essenciais a todos os humanos. A partir de situações presentes no cotidiano, a autora e ilustradora provoca uma constante reflexão sobre o conceito de vida, essa palavra tão importante e tão misteriosa.

 

Um assustador que não assusta

 

Seis autores abordam o tema da morte de forma inusitada no livro  Meu filho pato, organizado por Ilan Brenman. A autora Angela-Lago traz um texto que dá nome à obra e conta a história de uma mulher que perde seu pato de estimação. Outra surpresa vem da autora Índigo, que trata do assunto pelo ponto de vista de uma bexiga que tem medo de explodir. Também participam do livro escritores como Flávia Lins e Silva, César Obeid, Lalau e Roger Mello.

 

As descobertas por detrás de uma porta

 

Quando, logo após a morte no avô, o menino Paulo encontra a porta de seu escritório aberta, um novo mundo se abre. Descobre a árvore genealógica da família, os nascimentos e as mortes, as relações familiares, o papel de cada um nessa história. É com essas descobertas que o menino passa a compreender melhor o que acontece ao seu redor, na obra A porta estava aberta, escrita por Pauline Alphen, com ilustrações de Jean-Claude Alphen.

 

 

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