Livrarias infantis na pandemia: Mandarina

A Mandarina tinha aberto as portas em Pinheiros fazia nove meses quando a pandemia começou. As sócias Daniela Amêndola e Roberta Paixão já haviam consolidado uma presença nas redes sociais, que se intensificou desde março. “Para nós o que fez diferença mesmo foi o trabalho diário nas redes de falar sobre os livros, de fazer campanhas com as editoras e com os autores, de levar as pessoas para dentro da livraria com vídeos que nós fazíamos ali. E o apoio das pessoas para manter uma livraria de rua, que é esse espaço de acolhimento e encontro em torno da leitura no meio da cidade, foi muito importante.”

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No começo
“Quando a pandemia começou, a Mandarina tinha nove meses e nesse período o nosso trabalho foi muito forte nas redes sociais e no entorno. A rua tem muita circulação porque tem muitos restaurantes, tem uma doceira na frente, então as pessoas que trabalhavam ali perto circulavam muito por lá na hora do almoço. A nossa livraria estava sempre cheia. Quando a gente fechou as portas por conta da pandemia, abriu a porta das redes sociais. Começamos a avisar que estávamos fazendo entrega, eu e a minha sócia pegamos nosso carro e passamos a entregar. Deixamos bem claro que, se não conseguíssemos vender, se os clientes não ajudassem a comprar, não íamos sobreviver à pandemia.” 

Parcerias
“Aí foi uma coisa muito incrível porque tivemos ajuda e apoio de todos os lados, não só dos nossos clientes, mas de algumas editoras também. Fizemos uma parceria com o Milton Hatoum para que, quem comprasse os livros dele com a gente, receberia um autógrafo personalizado. Ele mora ali perto, então a gente deixava os livros na portaria, ele assinava e depois a gente ia buscar na portaria e mandava para todo o Brasil. Foram muitos pedidos e isso começou a dar fôlego pra Mandarina porque, mesmo fechada, teve muita exposição nas redes sociais. E a vendas por Whatsapp bombaram!”

Lives 
“Além disso, começamos a fazer lives. Como antes nós tínhamos muitos encontros, conversas e lançamentos na livraria, demos início a  esses encontros online. Tivemos live com o Milton Hatoum, o Christian Dunker, foram muitas e muito bem aceitas. Agora em outubro vamos fazer com autoras infantis e infanto-juvenis." 

Clube de leitura e cursos
“Antes nós tínhamos um clube de leitura uma vez por mês, que passou a ser duas vezes por mês nesse período. As pessoas estavam mais sozinhas e fizeram esse pedido. Também passamos a oferecer cursos online pelo Zoom, por exemplo, teve um sobre o problema do amor na literatura russa, com a Juliana Teixeira.”

Loja online
“Quando começou a pandemia, a gente estava prestes a abrir a loja online, só que, com tudo o que estava acontecendo, não conseguimos dar conta disso também. Então a loja online foi lançada só no dia 18 de agosto, quando a Mandarina fez um ano.”

Retomada rápida
“Abril e maio foram meses difíceis, mas logo em seguida retomamos. Não tivemos uma queda tão brusca nas vendas. Faz uns dois meses que voltamos ao ponto de antes, então vou dizer que estamos na média. Recebemos apoio do projeto Retomada das livrarias. Com isso, conseguimos também manter os funcionários.” 

Visitas mais rápidas
“Esse processo de reabertura tem sido gradativo. As pessoas estavam com um pouco de medo, abrimos já há dois meses. Há uns quinze dias notamos que as pessoas estão aparecendo mais. Tomamos todas as precauções, podem cinco pessoas no máximo. Mas mudou muito o tempo das pessoas lá dentro, elas entram e já sabem qual livro querem e saem. Ou aparecem para dar uma passeada quando não tem ninguém; as pessoas se sentem mais à vontade quando tem pouca gente na livraria. Antes tinha bolo, café - ainda tem café, mas pouca gente toma. Então a retomada está sendo interessante. Aconteceu também que muita gente gostou da entrega e prefere continuar recebendo os livros em casa, então nós contratamos um entregador que também trabalha para a doceira e para um restaurante ali das redondezas. A entrega é algo que a gente vê que vai ficar para sempre.” 

Whatsapp: (11) 99609.2031

Instagram: @livraria_mandarina

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