Livrarias infantis na pandemia: Malasartes

Fundada em 1979, a Malasartes foi a primeira livraria especializada em livros infantis do Brasil. Entre as proprietárias estavam a escritora Ana Maria Machado e Yaci Moraes, mãe de Cláudia e Renata, que hoje comandam a loja no Shopping da Gávea. Antes da pandemia, elas não tinham site ou loja virtual e concluíram que, em meio às incertezas trazidas pela situação inédita, não era hora de começar. Desde a inauguração e até hoje, a Malasartes faz questão da conversa com o público, do contato das crianças com o livro e de sua experiência própria de escolha. As proprietárias consideram que é muito difícil transpor essa proximidade e essa personalização para o ambiente on-line, especialmente no caso dos pequenos leitores. Cláudia contou que a saída foi usar o Whatsapp para manter o contato com os clientes e fazer as vendas. As reabertura, segundo ela, está lenta em todo o shopping e ela acredita que, dada a situação, será preciso pensar em alguma alternativa on-line, mas ainda não há nada definido.

LEIA MAIS: Como estão as livrarias infantis depois de seis meses de pandemia?

No começo

“Antes mesmo do fechamento da loja por causa da pandemia, já havíamos sofrido com o fechamento dos colégios. Temos parcerias muito fortes, e março é um momento em que todas as escolas que trabalham com literatura pedem os livros. Estávamos com muitos exemplares destinados aos alunos! E quem vem por conta dos livros adotados sempre levava outras coisas, isso fazia a roda andar e também se perdeu. Não vendemos nada a partir de 18 de março e até 30 de junho. Em julho e agosto a queda nas vendas foi de 80%. Dramático!”

Atendimento personalizado

“E não havia o que fazer... Somos uma livraria extremamente presencial e fazemos questão de personalizar mesmo, porque as crianças são muito diferentes. Aqui não temos divisão por idade, perguntamos e conversamos muito: como é a criança, do que gosta, se já tem familiaridade com histórias etc. Desde a criação o objetivo foi que a própria criança escolhesse o seu livro, o que não havia há 40 anos em nenhuma loja. Por isso, é muito difícil fazer uma adaptação para venda on-line. Crianças não escolhem dessa forma.”  

Vendas pelo whatsapp

“Através do whatsapp foi mais fácil. Clientes ligavam, a gente fotografava o livro, mas eu tinha que contar sobre o que era e adaptar para cada um: desde crianças pequenas que estavam querendo livros com mais páginas até algumas que deram um salto na leitura exatamente por conta da pandemia e do convívio mais intenso em famílias leitoras fizeram com que as crianças se habituassem a leituras mais complexas. Muita gente foi para casas fora do Rio, para a região serrana, e uma família contou que até a bisavó adorou participar da leitura da bisneta. Quem ligou para nós também ressaltou que queria livros divertidos, nada que se parecesse com o que algumas escolas estavam indicando.”

Retomada lenta

“Agora estamos tentando retomar, os clientes têm ligado, tem mais gente aparecendo na loja. Até as crianças, que eu achei haveria menos, mas tudo ainda muito devagar. Acho muito difícil uma volta rápida ao que era antes, já que o público leitor é, em geral, mais consciente e não acredita nesta pseudonormalidade. O movimento em todo o Shopping da Gávea está muito fraco, muitas lojas fechando. Vamos ver o que o futuro nos trará.”

Contato: (21) 2239-5644

 

Acesse a Letrinhas nas redes sociais