Jornada Pedagógica: qual o papel da escola na formação do leitor?

De que forma a escola contribui na formação do leitor? Como podemos ampliar esse papel? Quais são as práticas que estimulam a formação de um leitor crítico? Esses são apenas alguns dos questionamentos que a Jornada Pedagógica Companhia na Educação irá trazer à tona nesta semana em que nomes da educação estarão reunidos para debater a leitura e a formação do leitor. 

(Imagem do bate-papo no primeiro dia de Jornada Pedagógica: no alto, Ana Carolina Carvalho (esq.) e Renata Frauendorf, do Instituto Avisa Lá; abaixo, Rafaela Deiab, da Companhia na Educação)

Realizado em parceria com o Instituto Avisa Lá, o evento é ofertado de forma totalmente gratuita e conta com um eixo formativo. Entre os temas debatidos, estão desde a concepção de leitor dentro da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) até as mais diversas formas de práticas de leitura na escola. Os participantes ganharão um certificado digital de participação.

No primeiro dia o evento trouxe a concepção da BNCC sobre o leitor, conduzido por Ana Carolina Carvalho. Confira um pouco mais sobre como foi o primeiro dia de evento:

 

BNCC e a concepção do leitor

Conduzido pelas formadoras do Instituto Avisa Lá Ana Carolina Carvalho, psicóloga e mestre em Educação pela Unicamp, e Renata Frauendorf, pedagoga e também mestre em Educação pela Unicamp, o primeiro dia de debates da Jornada Pedagógica refletiu sobre o leitor ativo e de que maneira os diferentes tipos de texto contribuem na formação desse leitor.

Mas, o que é exatamente um leitor ativo? Segundo Ana Carolina, esta concepção está presente na BNCC e é fundamental para se entender de que maneira é possível trabalhar a questão da leitura em sala de aula. Em termos práticos, leitor ativo é todo indivíduo que está inserido em um contexto e que, por isso, atribui e negocia sentidos com o texto. 

 

(Imagem de tela projetada durante conversa de abertura)

“O sentido não está somente no texto. É preciso considerar que não há uma única interpretação, e não há uma interpretação exata daquilo que o autor quis dizer. O texto se apresenta da mesma maneira para todos, mas o sentido não está somente ali. A leitura se dá numa mescla contínua entre texto e leitor”, diz a psicóloga. E neste sentido, educadores e professores precisam entender a importância da mediação. Para ela, é preciso apostar nesse modelo de leitor para que a experiência de leitura seja enriquecedora.

Com uma apresentação que trouxe uma das mais emblemáticas personagens de quadrinhos, a Mafalda, Ana Carolina ainda lembrou da importância de oferecer às crianças livros que dialoguem com a experiência da criança, e, mais que isso, apostar e escutar no potencial do sentido que a criança traz ao ler um texto. “É preciso trazer práticas sociais de leitura, compartilhar a leitura com as crianças, trazer novos desafios e cuidar do momento da leitura, fazer com que as crianças possam pensar sobre o texto, para que elas tenham uma experiência enriquecedora de leitura, que as convoquem e que as coloquem de uma forma ativa”, diz ela.

 

"O texto se apresenta da mesma maneira para todos, mas o sentido não está somente ali. A leitura se dá numa mescla contínua entre texto e leitor" (Ana Carolina Carvalho)

 

Habilidades leitoras

No segundo momento do debate, foi discutido a importância de oferecer aos leitores diferentes tipos textuais para que se formem as habilidades leitoras descritas na Base Nacional. Assim, a pedagoga Renata Frauendorf trouxe exemplos de textos e a relevância que eles possuem na formação do leitor. “Para pensar na formação do leitor, a gente precisa, como educadores, pensar em oferecer tanto os textos de ficção como os de não-ficção”, diz.

Entre os motivos dessa oferta diversificada de gêneros, está o enriquecimento do contexto em que a criança está inserida, tornando a leitura cada vez mais compreensível e, ainda, trabalhando as habilidades descritas pela BNCC, como a identificação social do texto, ou para que serve a leitura, o estabelecimento de expectativas com relação ao texto que está sendo lido e para reconhecer que os textos literários fazem parte de um mundo imaginário. “Tudo isso é importante para que ele possa, além de compreender o sistema de escrita, compreender o que está lendo, se posicionar e identificar o efeito de sentido”, reforçou Renata.

Dentro desta ideia, a pedagoga alertou para a importância de se estabelecer novas dinâmicas em sala de aula, como a quebra do padrão de hierarquizar os tipos de textos, e também de refletir sobre as práticas de leitura, como os livros lidos, por exemplo. “O que realmente forma o leitor: o livro lido ou uma verdadeira experiência de leitura?”, provocou.

Com isso, Renata reforçou a necessidade que professores têm de rever sua própria experiência de leitura e o quanto é fundamental ter uma boa trajetória de leitura para proporcionar a formação de novos leitores. “Recuperar nossa trajetória como leitores é fundamental. Precisamos olhar para nossas experiências e pensar que caminhos podemos percorrer para avançar nisso”, finalizou.

Confira o bate-papo completo e acompanhe os destaques da programação aqui no blog

 

Confira como foram os outros dias da Jornada:

+ Segundo dia: Diversidade e prática na formação de leitores

+ Terceiro dia: Diferentes culturas e bibliodiversidade

+ Quarto dia: Os clássicos literários e a formação de leitores

 

+ Quinto dia: Práticas leitoras para o ensino médio

 

Leia mais:

+ Para refletir sobre a prática da leitura

+ "De novo!": ainda nos damos o direito de ler outra vez?

+ Quando as bibliotecas ocupam áreas carentes

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