Intervenção urbana faz Florianópolis balançar

Um movimento, uma brincadeira ou uma intervenção urbana? É um pouco disso tudo o resultado de uma iniciativa recentemente empreendida por um coletivo de Florianópolis (SC), que tem se reunido na cidade com um objetivo comum: mapear árvores, instalar balanços e... balançar.

Criado em 2016, o #aquitembalanço valoriza a ocupação dos espaços públicos urbanos, a importância da interação com a natureza, o brincar simples e genuíno e o convívio entre pessoas. “É uma atitude revolucionária perceber em atos tão simples possibilidades imensas de transformações”, diz a educadora Lia Mattos, uma das idealizadoras da ação, além de empreendedora de diversos projetos voltados à infância.

Promovida pelo coletivo Escola Aberta Navegar, que reúne educadores e artistas de todas as idades, incluindo crianças e jovens, a iniciativa já conta com parcerias com escolas particulares e municipais, universidades e ONGs. “Onde há um balanço provavelmente existe uma árvore, uma criança, alguém brincando. Existe o outro, existe o convívio, existe o ventinho no rosto e o friozinho na barriga, sensações fundamentais para alimentar a nossa alma, o nosso coração”, afirma.

A ideia de espalhar balanços pelas cidades do Brasil nasceu em 2012, quando Lia morava em Campo Grande (MS) e coordenava o Espaço Imaginário. Lá surgiu o plano de espalhar balanços por uma avenida movimentada, cheia de árvores imensas, pouco observadas pelos moradores no apressado dia a dia. Mas o plano não foi adiante, pois as autoridades locais proibiram a ação. O sonho ficou guardado no bolso.

Em 2014, quando se mudou com a família para Florianópolis, logo se reuniu com um grupo de pessoas com o forte desejo de trocar e aprender juntos. Nascia então a Escola Aberta Navegar. Era hora de tirar aquele antigo sonho do bolso.

Foram as crianças da Escola Aberta Navegar que construíram os primeiros balanços da intervenção urbana. Juntas, pensaram as formas dos balanços, escolheram e lixaram as madeiras, mapearam pela cidade as árvores, que, uma vez identificadas, eram batizadas em sua proximidade (num poste, por exemplo) com a marca da ação (#aquitembalanço). O passo seguinte era instalar os balanços – e, claro, brincar.

“O balanço é um acalanto da alma... É meu brinquedo favorito. Qual a criança que não gosta de balançar, de sentir os pés quase pisando no céu, a possibilidade de voar?”, questiona a idealizadora. Lia conta que, segundo Lydia Hortélio, mestra baiana dos brinquedos e das brincadeiras, importante referência na cultura da infância, “o balanço traz o ritmo, o inspirar e o expirar”.

Essa mania de balançar já tem provocado muitas reações nas pessoas – tanto adultos como crianças. “Há histórias de meninos que nunca haviam brincado antes em um balanço na árvore, histórias de avós emocionados ao se balançarem novamente, histórias de crianças que dizem que balançar alto 'é melhor que montanha-russa!'”, conta Lia, que deixa o convite para que todos espalhem essa ideia por outros cantos, compartilhando as fotos das ações nas redes sociais com a hashtag aquitembalanço. “Este é um movimento que pretende se alastrar pelo país e (por que não?) pelo mundo!”

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