Comunicação das árvores: tema de sucesso chega ao público infantil

A floresta também tem Wi-Fi. E, não, não estamos falando da internet que você usa para conectar aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores e sim de uma ferramenta poderosa de comunicação entre as espécies vegetais. Árvores geniais, o mais recente livro de Philip Bunting, lançado pelo selo Brinque-Book, traz para as crianças, de um jeito muito divertido e leve, o assunto que tem intrigado e conquistado os adultos em best-sellers como A vida secreta das árvores, de Peter Wohlleben: que as plantas formam uma rede viva e funcional, pela qual se comunicam entre si e também com o mundo. 

Capa do livro Árvores geniais, de Philip Bunting

“O livro aborda especificamente este tema que vem atraindo muitos olhares: a wood wide web ou wood world web, que optamos por chamar de rede de conexão florestal, mas que também é conhecida como rede social das árvores, rede subterrânea florestal, Wi-Fi da floresta, internet da floresta…”, diz Elisa Zanetti, editora do selo Brinque-Book. “Essa rede foi descoberta há mais de vinte anos, mas ainda são relativamente poucas as obras que tratam do tema. Em Árvores Geniais, a conexão entre árvores e fungos é explicada para os jovens leitores de maneira simples e muito rica”, continua.

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Mas não é só isso. O livro traz informações importantes sobre a natureza, a ciência e a responsabilidade de cada um de nós com o meio ambiente, com humor e sacadas espertas. “A proposta de Árvores Geniais é justamente essa: mostrar que o conhecimento pode ser legal, ao unir conteúdos informativos e literatura. O livro transforma a árvore em personagem e conta a sua história, por meio de texto e de ilustrações bem-humoradas. Aprender sobre a fotossíntese, por exemplo, vira uma deliciosa experiência de leitura literária”, aponta Elisa, que editou a versão em português. 

O conteúdo do texto, as ilustrações e o projeto gráfico são os mesmos da edição original, que é australiana. Traduzir e editar em português foi um desafio. “A principal preocupação é ser fiel ao original e, ao mesmo tempo, levar em conta nosso contexto linguístico, cultural, social. O humor de Bunting, tão característico, por exemplo, deve ser reproduzido no texto em português e essa não é uma tarefa fácil. Ainda bem que a escrita é fluida e divertida, o que torna o trabalho muito mais agradável”, conta a editora. 

Entre outras curiosidades, o leitor descobre, por exemplo, que se uma árvore se fere, as plantas mais próximas mandam nutrientes extras pelas redes de conexão nas raízes e também que elas protegem umas às outras de grandes ventos.

Página do livro Árvores geniais,

 

Meio ambiente: conhecer para cuidar

Árvores geniais chega em um momento em que é mais do que urgente reverter a maneira como nós, seres humanos, nos relacionamos com o planeta. E nada melhor do que conhecer e conviver para entender o nosso papel. Quanto mais cedo na vida isso acontece, melhor. “Os temas ambientais estão diretamente conectados às nossas vidas. Os ecossistemas, a flora, a fauna etc. fazem parte do que somos, de onde estamos. Para nos entendermos, precisamos entender o ambiente. Levando isso em consideração, acredito que esses temas sejam um prato cheio para as crianças, que são essencialmente curiosas”, aponta Elisa. 

Para a educadora ambiental Livia Ribeiro, idealizadora da Reconectta, empresa que desenvolve soluções, sistemas e produtos relacionados à sustentabilidade e meio ambiente para escolas, os livros são ferramentas fundamentais. “Eles ajudam as crianças a entenderem a importância de questões de sustentabilidade e meio ambiente. É uma excelente estratégia. Os livros e as histórias conectam de forma lúdica e aproximam temas muitas vezes complexos e distantes desse imaginário dos pequenos”, aponta ela. 

Ilustração do livro Árvores geniais

Mas ela vai além e afirma que não basta apenas ler os livros. É importante pensar em como fazer isso, para despertar o interesse e criar uma relação da história com os pequenos. “Todo livro merece ser contado e as crianças precisam ter acesso. Mas acho que não é só o tipo de livro que importa, mas principalmente como o adulto, o educador se relaciona com essa obra, como ele cria ali um vínculo com aquela história. “A forma como essa história é contada, muitas vezes, têm tanto impacto ou até mais do que o tipo de livro especificamente”, opina. 

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O humor, os trocadilhos e a maneira divertida como Philip Bunting trabalha o tema ao longo das páginas de Árvores geniais naturalmente convida a essa interação e cria um clima de diálogo, de informalidade, de descontração. Tudo isso enquanto trata de um dos assuntos mais sérios e impactantes que existem para a sobrevivência de várias espécies nesse planeta. Dá para imaginar? 

 

Além dos livros

E no mês em que celebramos o meio ambiente em diversas datas - Dia Mundial da Bicicleta e Dia Nacional da Educação Ambiental (em 3 de junho), Dia Nacional da Reciclagem e Dia Mundial do Meio Ambiente (em 5 de junho) e Dia Mundial dos Oceanos (em 8 de junho) - vale aumentar não só a reflexão, mas nossa ação também. Não com medidas mirabolantes, e sim no dia a dia. Não é mais uma questão para o futuro, mas para ontem. 

Será que as gerações atuais são mais conscientes, em questões ambientais, do que as anteriores? A resposta é: depende. “Tem pontos em que as crianças agora são mais conscientes e talvez pontos em que não”, afirma Livia. “É muito difícil generalizar e colocar uma geração inteira dentro de um mesmo barco, mas, hoje, temos muito mais informação disponível, sabemos muito mais sobre questões ambientais, sobre impactos e soluções. Temos isso muito mais presente na escola, na mídia, nos filmes. As crianças têm mais acesso. Acredito que, nesse sentido, elas sejam mais conscientes, inclusive porque talvez os desafios estejam mais escancarados, mas, ao mesmo tempo, vejo que, em outros aspectos, talvez essas gerações tenham mais desafios, porque passam menos tempo na natureza. As gerações anteriores tiveram infâncias mais conectadas com a natureza. As atuais são mais consumistas do que as anteriores. Então, depende do aspecto que você observa”, aponta. 

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A conexão real e a convivência com a natureza, segundo a educadora, é uma das formas mais efetivas de ajudar as crianças a entenderem a importância de preservar o planeta. “É essencial permitir que elas tenham oportunidade de estar na natureza, no quintal, na escola, ao ar livre, num parque, numa floresta, onde quer que seja. Crianças que têm contato, que conhecem e se relacionam com o mundo natural são mais predispostas a protegê-lo quando crescerem. Afinal, cuidamos daquilo que conhecemos e com que temos vínculo”, sugere. 

No entanto, não adianta ler, ensinar, levar para brincar na praça se você não praticar esse cuidado. “É preciso lembrar que, enquanto educadores, pais e familiares, somos grandes exemplos para as crianças e que elas se inspiram muito em nós. Então, é fundamental perceber como é a nossa relação com esse tema para que possamos também evoluir nesse sentido, junto com as crianças. Temos que tomar muito cuidado em depositar todas as nossas esperanças nelas. Afinal, temos muito o que fazer ainda”, conclui. E os pequenos estão sempre de olho!

 

Mais livros para inspirar conversas sobre o meio ambiente

Quer mais opções que ajudam a levantar o tema de um jeito divertido e empolgante para os pequenos? Aí vão algumas sugestões: 

Capa do livro A floresta, de Irena Freitas

A floresta, de Irena Freitas (Companhia das Letrinhas)

Capa do livro O quintal da minha casa, de Fernando Nuno

O quintal da minha casa, de Fernando Nuno (Companhia das Letrinhas)

Capa do livro O protesto, de Eduarda Lima, sobre meio ambiente

O protesto, de Eduarda Lima (Pequena Zahar)

Capa do livro Ninguém é pequeno demais para fazer diferença, sobre Greta Thunberg

Ninguém é pequeno demais para fazer a diferença, de Jeanette Winter sobre Greta Thunberg (Companhia das Letrinhas)

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