A bicharada está solta na literatura infantil!

 

A bicharada sempre teve um espaço nobre na literatura infantil, surgindo em muitas narrativas como fiéis amigos, protagonizando aventuras, imersos num convívio mais próximo do real, transformando as estantes de livros num verdadeiro zôo. Seguindo essa amizade da criança com a bicharada, o autor norte-americano Shel Silverstein aparece nas prateleiras com a pergunta-título Quem quer este rinoceronte?, livro que acaba de ser relançado pela Companhia das Letrinhas

 

 

E um rinoceronte pode ser muito útil! Nessa prosa tão cheia de graça, reta e concreta quanto o chifre do bichinho, o autor traz num texto poético e nas ilustrações como o animal dá um belo abajur e é gostoso de abraçar, além de perfeito para devorar o boletim com notas baixas antes que os pais o vejam. Com tradução de Alipio Correia de França Neto, o livro apresenta as delícias de ter um bicho de estimação pouco convencional como um rinoceronte.

 

 

Como há diversas outras narrativas que celebram uma verdadeira revolução dos bichos, selecionamos dez protagonistas dos menores ratinhos aos maiores leões para o pequeno leitor conhecer – e viver aventuras animais! Confira.

 

As aventuras de Pedro Coelho

O coelho mais famoso e travesso da literatura tem suas histórias contadas em desenhos animados e filmes, encantando crianças e adultos há mais de cem anos, desde sua primeira publicação em outubro de 1902. Publicado no Brasil pela Companhia das Letrinhas, Pedro Coelho surge ao lado de outras criações da autora Beatrix Potter, como o coelho Benjamin, os coelhinhos Flocos e o Sr. Raposão, em uma série de malandragens e apuros desse coelhinho divertido e charmoso.

 

O bondoso elefante Horton

Seja com gatos malandros, seja com elefantes gentis, o escritor e cartunista norte-americano Theodor Seuss Geisel, sob o pseudônimo Dr. Seuss, produziu diversas obras infantis protagonizadas por animais. Horton, um de seus personagens icônicos, é o elefante mais gente boa da floresta e está sempre disposto a ajudar, com uma fidelidade e dedicação tão grandes quanto ele próprio. Em Horton choca o ovo, acompanhamos esse simpático elefante passando por várias aventuras sem deixar de lado sua generosidade e bondade.

 

O urso com música na barriga

Imagine uma família de ursos do Bosque Perdido, um lugar repleto de animais, onde o Urso-Maluco, filho do Urso-Pardo e da Ursa-Ruiva, escreve uma carta à Cegonha-Cor-de-Rosa pedindo por um irmãozinho – e com música na barriga. O pedido é atendido e começam as aventuras de um urso diferente, o Urso-com-Música-na-Barriga. Nesta história de Erico Verrissimo, a importância das relações afetivas e o desafio de expressar os próprios sentimentos são temas que saltam e urram com bom-humor, divertindo e instruindo o leitor.

 

O herói canino

Quando o oficial Rocha e seu cachorro Greg sofrem um acidente, o único jeito de os dois sobreviverem é fundindo a cabeça do cachorro com o corpo do policial — e é assim que nasce o Homem-Cão, o grande herói da cidade! Na série escrita por Dav Pilkey, cada livro se inspira em um clássico da literatura – já teve de Um conto de duas cidades, de Charles Dickens, a O senhor das moscas, de William Golding – para narrar as aventuras desse policial com olfato apurado para farejar injustiças, um ser que pode beber água da privada às vezes, mas late na cara do perigo!

 

O ratinho dentista

William Steig, autor de Shrek, obra adaptada para o cinema em 2001, também escreveu dhistórias com bichinhos maiores e menores do que um ogro. Em Dr de Soto, acompanhamos o trabalho do ratinho dentista dedicado em tratar dos dentes dos seus pacientes animais, atendendo não só outros ratinhos, mas também vacas, burros e outros animais tão grandes que Dr de Soto precisa ser guinchado na boca deles. Quando uma raposa faminta surge em seu consultório, o doutor rato precisa agir com esperteza e coragem para atender esse paciente cheio de artimanhas.

 

Um leão caçador diferente

Leocádio é um leão que, incomodado com os caçadores na floresta, decide engolir esses seres e aprender a atirar, tornando-se o melhor atirador de todos os tempos. Nessa inversão de papéis, o rei da floresta troca sua vida sossegada para morar na cidade onde se veste de modo elegante e come marshmallows, carregando uma fama de leão rico e bem-sucedido. Mas Leocádio vive feliz? Leocádio ainda é um leão? Shel Silverstein traz em Leocádio, o leão que mandava bala uma grande discussão sobre consumismo, aparências e a natureza humana, com a mesma leveza e humor características de suas outras obras.

 

Uma girafa e tanto

Um menino tem uma girafa, mas só ela não basta: ele quer "uma girafa e tanto". Assim, ele vai colocando sobre a sua girafa tudo o que encontra, sem nunca parar para pensar se ele – e ela – realmente precisam de tantas tralhas. Um chapéu barato onde mora um rato, um sapato com uma sola que fica grudada de cola… Num delicioso jogo acumulativo de rimas, Silverstein convida o leitor a refletir sobre a sociedade de consumo em que vivemos.

 

Lobo do bem

Este papo de que o lobo tem que ser sempre mau às vezes pode ser um pouco injusto. E foi pensando nisso que a autora de A lobinha ruiva, Stela Greco Loducca, resolveu trocar os papéis: no livro, a loba é a vítima do malvado caçador, que não vê a hora de encontrá-la na casa da vovozinha. Nessa brincadeira da trama, será que existe um mau que é só mau e um bom que é só bom?

 

Peixe fora d´água

Abril era um peixinho que se sentia um bicho meio fora d’água. Depois de nadar de um lado para o outro, ele não se contentou com sua vida entre as quatro paredes de vidro do aquário onde vivia: bolou um plano e partiu em busca de novos horizontes e outros ares para respirar. A aventura do peixinho foi escrita e ilustrada por Marjolaine Leray, dona de um traço e um humor bem característicos.

 

Gato curioso e explorador

Em O gato e o escuro, obra que estreia o moçambicano Mia Couto na literatura infantil, o filhote Pintalgato decide se aventurar cruzando a fronteira do dia, adentrando o território do escuro. Ao ver seu pelo, antes amarelo com pintinhas, preto como a noite, fica apavorado, até perceber que o medo do escuro, na verdade, é o medo das "ideias escuras que temos sobre o escuro", numa bela fábula sobre as aflições e o encantamento com o desconhecido.

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