5 mulheres que lutaram pelos direitos humanos

O Blog da Letrinhas presta homenagem a mulheres que ousaram defender seus ideais e lutaram pelos direitos humanos e, muitas vezes, correram risco pelo seu ativismo. Assassinada brutalmente em 12 de agosto de 1983, a paraibana Margarida Maria Alves, que foi defensora dos trabalhadores rurais e ativista pela reforma agrária, acabou tendo sua luta reconhecida com o Dia Nacional dos Direitos Humanos (12). Sua coragem e a de outras tantas também é celebrada em 19 de agosto, Dia Mundial da Ajuda Humanitária, em reconhecimento a todos os que se arriscam para ajudar e salvar outras pessoas.

Conheça essa história e de outras quatro mulheres, cujos trabalhos e nomes ainda são pouco (re)conhecidos. Como explica Bárbara Castro, professora da Unicamp especialista em trabalho e gênero, no posfácio do livro Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade (Editora Seguinte), muitos embates dos quais as mulheres tomaram parte como protagonistas “sumiram da história oficial por não terem sido sistematicamente registrados e narrados”.                                                                                                                             

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1) Margarida Maria Alves

A história de Margarida é contada no livro Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil, de Aryane Cararo e Duda Porto de Souza, publicado pela Editora Seguinte e selecionado para o PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático) 2020. Ela moveu centenas de ações para garantir direitos como férias, 13º salário e jornada de oito horas diárias para trabalhadores rurais, especialmente os da indústria canavieira. Mexeu com os interesses de um grupo grande e poderoso de fazendeiros, usineiros e políticos da Região do Brejo, na Paraíba. Foi ameaçada e por fim assassinada com um tiro no rosto, enquanto via da janela de casa o filho pequeno brincar.

Pretendiam desfigurá-la e à sua luta, mas o crime deu mais visibilidade à causa. Em 2000, ocorreu a primeira Marcha das Margaridas em Brasília, uma manifestação de mulheres trabalhadoras rurais brasileiras em defesa dos direitos humanos e na luta pela terra, que, em sua última edição, em 2019, teve a participação de cem mil manifestantes. 

Foi cumprida a profecia de uma faixa que dizia, à época do assassinato: “Do sangue derramado de Margarida outras Margaridas nascerão!”.

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2) Dorothy Stang

Outra história notável de Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil é a da missionária americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, que também lutou pelos direitos dos pequenos agricultores. Ligada às questões fundiárias da Amazônia e à defesa do desenvolvimento sustentável, ela fundou escolas, promoveu a alfabetização e, como Margarida, pagou com a própria vida pela força de seu discurso, que desafiava interesses de fazendeiros, madeireiros e grileiros da região.

Chamada de “anjo da Amazônia”, Dorothy tinha 73 anos em 2005, quando foi morta com seis tiros em Anapu, no Pará. O assassinato teve intensa repercussão nacional e internacional, e seu enterro também reuniu milhares de pessoas. Ela dizia que a “Terra tem que ser para sempre”, e sua bandeira permanece mais atual e urgente do que nunca.

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3) Bertha Lutz

A vida desta que foi uma das primeiras feministas brasileiras também figura em Extraordinárias. Bertha Lutz era bióloga formada pela Sorbonne, foi uma das principais batalhadoras para que as mulheres conseguissem o direito ao voto no Brasil, em 1932, e a segunda brasileira a entrar para o serviço público, como bióloga do Museu Nacional, no Rio. Atuou como musicista, poeta, era preocupada com o ensino, a preservação da natureza e a igualdade salarial entre homens e mulheres no trabalho.

Nunca se casou e era independente financeiramente, dois fatos bem incomuns para mulheres de sua época. Foi representante do Brasil no exterior em diversas ocasiões, como na Conferência Internacional do Trabalho, em 1944, e na Conferência de São Francisco, quando foi elaborada a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Segundo um estudo de pesquisadoras da Universidade de Londres, Bertha liderou o grupo de mulheres que garantiram a menção à igualdade de gênero no documento. 

 

Capa do livro Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil, de Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

O livro Extraordinárias traz o perfil de 45 mulheres
que fizeram história no Brasil e uma linha do tempo
com as principais conquistas... LEIA MAIS

 

4) Harriet Tubman

Ela já nasceu na condição de escravizada nos Estados Unidos e foi separada dos pais aos 6 anos para trabalhar em outra fazenda. Sofreu violências aterradoras, chegando a ter um peso de ferro atirado em sua cabeça. Aos 27 anos, conseguiu fugir para a Filadélfia, onde a escravidão era proibida.

Foi então que Harriet Tubman decidiu ajudar na fuga de outros escravizados, elaborando rotas e planos que eram executados sempre à noite, no mais absoluto sigilo. Ela ajudou centenas de pessoas a escapar da escravidão e, apesar de muito procurada, nunca foi capturada.

A história dessa destemida mulher está no livro Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade, de Marta Breen e Jenny Jordahl, da Editora Seguinte, que conta a história da luta feminina por direitos em quadrinhos

 

5) Mary Wollstonecraft

Em fins do século XVIII e início do XIX, a liberdade, a igualdade e a fraternidade da Revolução Francesa valiam apenas para os homens, e filósofos como Rousseau afirmavam que o principal papel das mulheres era servir aos homens.

Felizmente, também havia mulheres pensadoras, como a escritora e filósofa inglesa Mary Wollstonecraft, que também tem sua história contada em quadrinhos em Mulheres na luta. Nesse mesmo período, ela atacou as ideias de Rousseau e escreveu sobre a necessidade de uma educação igualitária para meninas e meninos – e essa pauta fundamental passou a integrar as reivindicações de organizações feministas mundo afora a partir de então.

Capa do livro Mulheres na luta

Uma história em quadrinhos sobre os 150 anos
do feminismo no mundo... LEIA MAIS 

 

Mais livros sobre mulheres pioneiras

Em ABCDelas, da Companhia das Letrinhas, a autora e ilustradora Janaína Tokitaka elaborou um abecedário de profissionais mulheres que inauguraram linhagens, fundaram reinos e representam a “pluralidade das narrativas femininas”. Cada letra do abecê tem a sua representante – do “a” de aviadora ao “z” de zoóloga - apresentada em um pequeno e divertido conto e lindas ilustrações. São retratadas aqui a primeira ilustradora e cartunista brasileira, Nair de Tefé, que publicava na revista Fon-Fon, e a primeira juíza do Brasil, Thereza Tang, que enfrentou os próprios pais para seguir na profissão.

Capa do livro Carmen: a grande pequena notável

Em Carmen: a grande Pequena Notável, da Pequena Zahar, as autoras Julia Romeu e Heloísa Seixas convidam os leitores a saber um pouco mais sobre essa mulher que – bem – essa o mundo inteiro conhece! No vídeo abaixo, dá para assistir a uma conversa com as autoras e a ilustradora Graça Lima sobre as pesquisas e a produção do livro:

(Texto atualizado em 11 de maio de 2021)

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