5 livros para crianças e famílias conhecerem o Modernismo brasileiro

Hoje nós chamamos a Semana de Arte Moderna de “Semana”. Mário de Andrade é chamado só de “Mário”; Oswald de Andrade virou “Oswald”; Anita Malfatti é “Anita”; e Tarsila do Amaral é “Tarsila” (ela não participou da “Semana”, mas chegou logo depois).

Todos tratados pelo primeiro nome, assim, como velhos conhecidos.

Mas as crianças já conhecem todos esses nomes? Sabem da importância disruptiva que tiveram para a arte brasileira?

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O Grupo dos Cinco, desenho de Anita Malfatti: a própria Anitta aparece no sofá, Mário e Tarsila ao piano, e Oswald e Menotti del Picchia no chão (Itaú Cultural)

Para comemorar os 99 anos da Semana de 22 e tornar esses personagens bem chegados dos pequenos também, selecionamos aqui quatro livros que contam a história de figuras importantes do modernismo brasileiro (ainda que, como a Tarsila, nem todos tenham participado da Semana) e um para os adultos da família que quiserem se aprofundar no tema.

1) O Mário que não é de Andrade, de Luciana Sandroni com ilustrações de Spacca

Para as crianças conhecerem o principal nome do nosso modernismo e um dos idealizadores da Semana, este livro de Luciana Sandroni conta a história do encontro entre um menino chamado Mário e o Mário autor de Macunaíma, a partir de cartas, romances, poemas e outros textos do escritor. Mário modernista conta ao garoto Mário tudo sobre o modernismo brasileiro e seu marco fundador, a Semana de Arte de 22.

Capa de O Mário que não é de Andrade (Letrinhas, 2001)

2) Reinações de Monteiro Lobato: uma biografia, de Marisa Lajolo e Lilia Moritz Shcwarcz

Lobato não era integrante do grupo modernista, mas foi contemporâneo de todos eles e detonou uma polêmica que só deu forças para o movimento: escreveu, no Estado de São Paulo, uma crítica feroz à exposição de Anita Malfatti de 1917 (a primeira considerada de fato modernista). Nesta biografia escrita por Marisa Lajolo e Lília Moritz Schwarcz, Lobato conta como sua visão tradicional sobre pintura influenciou sua opinião e sobre como os amigos modernistas da pintora saíram em defesa dela. O livro contextualiza esse momento da vida de Lobato e, portanto, também a atmosfera cultural que levou à Semana.

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Capa de Reinações de Monteiro Lobato (Letrinhas, 2019)

3) Extraordinárias, de Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

Anita Malfatti é uma das extraordinárias mulheres retratadas neste livro. Depois de estudar pintura na Alemanha e nos Estados Unidos, ela produziu as primeiras telas realmente de vanguarda do Brasil e desagradou até sua família. Em uma exposição de 1917, seus quadros e seu estilo foram duramente criticados por Monteiro Lobato, e a reação de nomes como Mário e Oswald de Andrade em defesa da artista aglutinou a energia inicial do movimento modernista brasileiro.

Anita Malfatti em ilustração de Lole para Extraordinárias (Seguinte, 2017)

4) O anel mágico da tia Tarsila, de Tarsila do Amaral 

A autora deste livro, Tarsila do Amaral, é sobrinha da grande pintora e mistura realidade e ficção para apresentar, de maneira atraente às crianças, a vida e a obra de uma das nossas maiores artistas. São retratados aqui a infância na fazenda em Capivari, a experiência com a nata da vanguarda europeia em Paris e o relacionamento com Oswald de Andrade. Em cada passagem, Tarsila aparece trabalhando em seus quadros mais famosos, num perfil escrito com o afeto da convivência com a tia pintora e suas obras.

Capa de O anel mágico da tia Tarsila (Letrinhas 2011)

5) 1922: a semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves

Na comemoração dos noventa anos da Semana de 22, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves produziu este relato que conta as etapas e os bastidores do movimento que culminou no prestigiado evento. O autor conta a história de personagens importantes, como Anita, Mário, Oswald e Di Cavalcanti, com suas trajetórias artísticas até aquele momento, além de explicar a participação da elite cafeeira progressista no financiamento do evento que se transformou numa espécie de mito sobre a fundação da cultura moderna no Brasil.

Capa do livro de Marcos Augusto Gonçalves, com referência à capa da edição original de Pauliceia desvairada, de Mário de Andrade

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