Uma casa cheia de leitores sabidos

 

 

Imagine um lugar onde há histórias em todos os cantos! Numa das salas, uma lista de indicação de livros (cem!) preenche uma das paredes, de ponta a ponta. Ao lado, um cartaz reúne fotografias de alguns dos “autores preferidos”: Tatiana Belinky, Ana Maria Machado, Anthony Browne, Eva Furnari e Ricardo Azevedo. Inspirados desenhos de crianças ilustram aventuras incríveis nas cortinas do local. Já nas prateleiras, centenas de livros logo denunciam que foram manipulados muitas e muitas vezes por mãozinhas curiosas que habitam o lugar.

Essa casa cheia de histórias é a ONG Pró-Saber São Paulo, localizada em Paraisópolis, na zonal sul da cidade. O espaço, que existe desde 2003 e recebe dezenas de crianças com idades entre 4 e 17 anos todos os dias, tem uma movimentada biblioteca comunitária – só em 2017 a comunidade de lá retirou (e leu) mais de 11 mil obras. Coordenado por Lia Souza Dias Olival, é um espaço vivo e vibrante, onde a leitura dialoga com outras linguagens, incluindo a da brincadeira. Assim, ler e brincar são atividades que caminham de mãos dadas, unindo cabeça e corpo. Entre as muitas ações que envolvem música, dança e artes visuais, está o projeto Cem Livros. Ali toda criança é desafiada a ler cem obras literárias no ano e, quando a missão se completa, ganha uma festa!

Festa também foi o que fizeram por lá, no dia 9 de dezembro, os escritores e ilustradores Blandina Franco, José Carlos Lollo, Patricia Auerbach, Renato Moriconi, Lalau e Laurabeatriz. O encontro, realizado num sábado animado, foi marcado também por muitas histórias: a das interações dos autores com as crianças, a dos bichos inventados coletivamente, a dos versos que davam nó na língua. No final, não faltou livro embrulhado e autografado – o melhor presente para os melhores leitores.

 

 

Na festa, os ilustradores (Lollo, Laurabeatriz e Renato) foram desafiados a criar cada um uma parte de um bicho, sem nada combinar. Já os escritores, que, assim como as crianças, tentaram adivinhar que invenção era aquela que nascia no papel, brincaram com as palavras. Assim, alguns desenharam, outros versaram. Juntos, criaram um rinopapaonça de salto alto, uma inusitada mistura de rinoceronte, papagaio e onça. Os versos de Lalau saíram tão maluquinhos quanto a figura imaginária.

 

Todo bicho imaginário

É diferente.

Parece que está de frente

Mas é o contrário.

 

Cabeça de um!

Asas de outro!

De quem é o bumbum?

 

Mais um desafio? O segundo bicho criado foi batizado de botopeixerino: cabeça feita por Laurabeatriz, corpo desenhado por Renato e bumbum inventado por Lollo, que, claro, não hesitou em ilustrar uma hélice propulsora de puns, dos mais potentes. Se tem Lollo e se tem pum, tem também Blandina, que logo soltou... o verbo. Ufa.

 

E agora que bicho é esse?

Não sei ainda o que é!

É um bicho sem cabeça

E que também não tem pé!

 

Esse bicho não existe

Não nasceu em lugar nenhum

Com essa hélice no bumbum

Só se for pra soltar pum!

 

Confira os melhores momentos dessa festa no vídeo acima!

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