Um ano do fenômeno “A parte que falta”

 

 

O fenômeno A parte que falta, obra do americano Shel Silverstein (1930-1999), comemora hoje, 20 de fevereiro, um ano da leitura comovente da youtuber Jout Jout em seu canal de vídeos, arrebatando um total de 5,6 milhões de visualizações. Desde então, o livro se disseminou entre muitos grupos, extrapolando os limites da literatura dita infantil, e bateu o número de 100 mil cópias vendidas.

 

 

Jout Jout se emocionou ao ler a obra: "Não sei quanto a você, mas sempre falta um trocinho. Às vezes, falta muita coisa, às vezes, só uma coisinha que parece um mundo de faltas. Pra muitos, falta o indispensável e aí o que falta pra você parece nada, mas é demais de onde você está olhando.” No canal da youtuber, os vídeos de maior sucesso alcançam, em média, 1,5 milhão de visualizações.

Publicado originalmente nos Estados Unidos, em 1976, o livro integra a obra infantil do autor que detestava finais felizes, seguindo os passos de seu grande sucesso, A árvore generosa (1964). A parte que falta também segue as outras criações do escritor e ilustrador ao não subestimar a capacidade infantil. A história: uma figura circular que sai em busca da parte que lhe falta. Corre, cai em buracos, descansa e aprecia a jornada. Experimenta inúmeras partes que podem ser a sua, mas algumas são grandes demais; outras, pontudas demais…

Para comemorar tal feito, reunimos as mais divertidas e curiosas reverberações desse sucesso nas redes sociais. Confira mais a seguir.


Post no instagram do bolo feito para o encontro de livreiros do Grupo Companhia das Letras: “E pelo visto todo mundo encontrou uma parte para chamar de sua”


Camisetas, unhas e festas

As discussões filosóficas sobre incompletude, felicidade e independência abordadas com delicadeza na obra emocionaram o público, que trouxe o personagem circular como símbolo desses temas para sua vida. Muitas pessoas vestiram essa ideia em camisetas, decoraram as unhas e as casas e até a transformaram em tema de festa…

 

 

Tatuagens

Algumas, tocadas com a mensagem do livro, marcaram essa arte na pele. Nessas releituras da obra, o tatuador Murilo Lopes filosofa sobre o desenho: ”Este mini-ser muito simpático, mas talvez incompleto, percebeu que a verdadeira felicidade não está no outro, mas dentro de nós mesmos”. Já a artista Duda Tessaro, que imprimiu essa arte no próprio braço, num gesto de amor próprio, diz: “Pra jamais esquecer que sou parte completa de mim mesma”.

 

Dedicatórias carinhosas

O fenômeno também rendeu muitos os gestos de carinho dirigidos a outras pessoas. O instagram @eutededico, perfil que coleta dedicatórias em livros presenteados, publicou esta de A parte que falta:

“De: Tio Ró
Para: Filipe

Nem imagina a felicidade que fiquei quando soube que você já estava começando a ler, logo imaginei que daria pra pegar os gibis mais legais que tenho todo dia pra gente ler juntos, mas lembrei que estou morando longe :/
Não poder te ver crescer é uma das partes que que me faltam lá em São Carlos, mas espero que com esse livro aqui você aprenda que ter uma parte que falta nem sempre é ruim, às vezes é necessário para crescermos fortes (igual o Hulk).
E se não entender a mensagem do livro, pede pra sua mãe explicar, afinal você já tem 6 anos, está na hora de ter esse tipo de conversa (sim Cecília, joguei pra você e saí correndo, continue me amando, tá?). Felicidades sempre!
E saudade!”

 

Já a professora Áquila Thalita usou a temática do livro abordado por Jout Jout com uma de suas turmas. Seus alunos retribuíram com uma edição do livro:

“#tbt [Throwback Thursday, hashtag em que os usuários postam numa quinta-feira fotos nostálgicas] de hoje vai pra essa lembrança maravilhosa desse livro que ganhei de alunos queridos. Trabalhar a FALTA nunca será uma tarefa fácil. Lembrar que somos sujeitos faltantes, incompletos, barrados e atravessados é lidar com as nossas próprias impossibilidades. Eis a missão: levar o famoso livro da Jout Jout, no momento tão falado, pra eles. Passei o vídeo, não tinha o livro ainda. Comentamos sobre as (im)possibilidades de querer ser TODO, completo, invariante. Percebemos o quanto impessoal, empobrecido e nada criativo pode ser o caminho de quem trilha inteiro. Deixamos nossas “partes que nos faltam” por onde andamos. Buscamos no outro a parte que nos falta. Encontramos quem nos dizem que esses não são a parte que nos falta. Então pensávamos? Onde está a parte que nos falta? Procurando a parte que faltava neles mesmos. Eles descobriram que na beleza da natureza, na subida da ladeira, no fundo do poço, a falta estava ali: perceptível, indissociável ao humano. É ela que nos leva a beleza da feliz parte que contemplamos em todos os caminhos que percorremos em busca de não faltar-a-ser alguém no mundo. Deixa a falta faltar em você!”

 

 

Humor

Charge de Claudio Mor publicada na Folha de São Paulo em março de 2018

Muitas pessoas usaram o conceito de falta para alcançar o humor. Nas redes sociais, o personagem circular se espalhou também em diversos memes!

 

 

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“A parte que falta em você talvez seja o óculos”

“Falta-lhe uma parte e você não é feliz? Canta por aí “Busco a parte que falta, a parte que falta em mim”? Talvez você não esteja enxergando a verdade”, brinca a propaganda da clínica de oftalmologia Konno. Outras empresas também usaram a criatividade para relacionar a obra com seus produtos.

 

 

Outras inspirações

Como o sucesso de A parte que falta alcançou diversos grupos, cada um trabalhou os assuntos tratados na obra a partir de um viés, o que gerou uma multiplicidade de olhares e experiências. O Grupo de Mães da revista Donna, coletivo de discussão e troca de vivências sobre maternidade em Porto Alegre (RS), convidou quatro crianças de diferentes idades para contar suas impressões sobre o livro com a psicóloga Arieli de Freitas Groff, no estúdio do jornal GaúchaZH:

 

 

Também teve contação de histórias online: no canal Fafá Conta Histórias, atriz e narradora Flávia Scherner, que já havia narrado A árvore generosa, deu voz para A parte que falta no vídeo abaixo:

 

 

Uma interpretação mais curiosa é a leitura da obra em ASMR ‒ Resposta Sensória Meridiana Autônoma, traduzido do inglês, em que se busca uma sensação agradável gerada no corpo por um estímulo externo, normalmente sonoro:

 

 

E você, tem alguma história para contar envolvendo o livro A parte que falta?

Neste post
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