Setembro azul: colocar-se no mundo como surdo

Entre os dias 18 e 22 de setembro, o Itaú Cultural preparou uma programação especial para celebrar o Setembro Azul, evento voltado para o universo das pessoas surdas. Com o tema Comunicação e arte: colocar-se no mundo como surdo, a programação reúne atividades que abordam o uso de diferentes linguagens artísticas (teatro, circo, música e literatura) pensadas para e por surdos.

 

 

 

O dia nacional do surdo é comemorado em 26 de setembro, data de inauguração do Instituto Nacional de Educação de Surdo (INES), criado em 1857, no Rio de Janeiro. Essa foi a primeira escola voltada ao ensino formal dessa comunidade no Brasil. No resto do mundo, o Dia Internacional do Surdo também é comemorado em setembro, no dia 30. A cor azul remete aos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando, perseguidos pelos nazistas, as pessoas com deficiência eram obrigadas a usar faixas azuis no braço para que pudessem ser identificadas por agentes do governo.

De acordo com Samara Ferreira, coordenadora do Núcleo de Educação e Relacionamento do Itaú Cultural, o intuito da programação é pensar nas potências das pessoas e em tudo que é possível aprender e construir com elas, por meio de suas diferenças. “Além disso, é importante usar este espaço para conscientizar as pessoas sobre esse universo em que todos podem aprender e ensinar”, comenta sobre o evento que chega em sua segunda edição.

Um dia antes do início da programação (terça-feira, 17), o instituto participa da abertura do festival Sem Barreiras, promovido pela Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, às 18h, a ONG Escola de Gente lança no Itaú Cultural o Vem CA, um aplicativo de cultura acessível criado com o apoio da instituição. A programação então segue na quarta (dia 18), a partir das 14h, com o debate Arte e surdez: produção de artistas surdos, com a multiartista Fernanda Machado, o grafiteiro Odrus e a poeta e atriz Catharine Moreira, em que eles apresentam seus trabalhos artísticos, ressaltando os desafios e as oportunidades do caminho da arte para um artista surdo no Brasil.

Na quinta, às 17h, e na sexta, às 15h, Conversas sobre Surdez reúne rodas de conversa e pocket shows. E às 16h, na sexta, Literatura surda traz um debate com Cláudio Mourão, pesquisador de literatura surda no Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação de Surdos (GIPES), o educador, ativista, ator e poeta Edinho Santos e a pesquisadora e professora Lodenir Karnopp, cocuradora do projeto LiteraSurda, no Sesc Paulista. O encontro conta com mediação da intérprete de Libras Erika Mota, e aborda a escrita literária surda pelos pontos de vista da literatura infantil, da poesia de rua e da discussão acadêmica.



Foto: Sté Frateschi


Já no sábado, entra em cena o espetáculo O Feio, voltado para as crianças e seus acompanhantes, com reapresentação no domingo, e no fim de semana seguinte, dias 28 e 29, no mesmo horário. Dirigida por Cintia Alves e Leonardo Castilho, a peça é construída a partir do ponto de vista de pessoas surdas e cegas em uma pesquisa de linguagem que buscou a comunicação com esses dois públicos sem mediação, sendo uma obra vencedora do Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Para crianças e adultos, as histórias do grupo êBA finaliza a programação do Setembro Azul deste ano no domingo. Com a narração de Histórias de Bumbá o grupo traz muita dança, brincadeiras e música na história de Catarina e Francisco que buscam de reviver o bumba-meu-boi, levando aos presentes as riquezas da cultura maranhense e do Nordeste brasileiro. Toda a programação, dos debates às apresentações, conta com estenotipia (open caption) e interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

 


Foto: Laís Gouvea


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Setembro Azul

Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 139 - Bela Vista)
Quando: de 18 a 22 de setembro
Quanto: gratuito (saiba sobre as regras de retirada de ingressos aqui)
Classificação etária: livre

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