“Poesia não é nenhum bicho-de-sete-cabeças”

 

“Quando você publica um livro, é como se você jogasse uma semente, e muitas vezes você não consegue vê-la dando frutos.” A frase é de Rosiene Santos Oliveira, que é educadora social no Centro de Convivência da Criança e do Adolescente da Associação Santa Terezinha, em Carapicuíba (SP). Em comemoração ao Dia Mundial da Poesia, no primeiro semestre, ela realizou o trabalho de colher os frutos do livro Um caldeirão de poemas, de Tatiana Belinky (1919-2013).

 

 

Ela propôs a crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 14 anos, que escolhessem um livro para ler. O livro preferido da turma foi o de Belinky, e o resultado foi mais do que surpreendente: as crianças extrapolaram os limites rimas, exploraram sua própria linguagem. “Elas viram que podem cantar e desenhar, viram que poesia não é nenhum bicho-de-sete-cabeças”, explica Rosiene. “Se você fala hoje em dia, na era da computação, que crianças de 10, 12 anos pegam um livro físico dentro de uma biblioteca para ler, para curtir, é espantoso”, completa. “O livro ainda faz parte do universo infantil.”

 

 

A experiência foi registrada em um vídeo, feito pelo celular. Uma das alunas, por exemplo, emocionou-se ao ler o seu próprio poema, lembra Rosiene, que conta os bastidores do projeto. “O poema escolhido por uma das crianças era muito comprido, ela não ia conseguir decorar tudo. Então, outra se ofereceu para deitar no chão com uma cartolina, onde ele estava escrito. Era uma criança ajudando a outra”, conta a educadora, que envolveu 95 crianças no projeto.

Depois da gravação, o resultado final foi exibido diretamente do YouTube pelo professor de informática, já que cerca de 60% dos alunos não têm acesso à internet em suas casas. “Se você mostrar para a criança que o que ela faz e produz pode ter visibilidade, você começa a trabalhar sua autoestima. Deu pra ver aquele brilho no olhar da criançada.”

 

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