Parceiros de grandes aventuras

 

Que tal ter um companheiro de aventura pelo mundo dos livros? É o que acontece no Parceiros de leitura, projeto do Colégio Renascença, em São Paulo. Uma vez por semana, alunos de diferentes anos dos ensinos fundamentais I e II se encontram em um momento especial de leitura.

 

 

É o caso de Tally Schop, que participa do projeto com seu parceiro mais velho, Bruno Schefler. "Quando a gente não entende, ele explica de uma forma divertida”, conta a aluna do primeiro ano do ensino fundamental I. Bruno, que já é adolescente, completa: "Ela lê os livros com muito gosto e emoção. Também gostaria de ler dessa forma. É bem mais legal ler com ela, que é fofa. Virou amiga, sabe? Mesmo fora da aula, a gente se encontra", explica o garoto.

O projeto surgiu há quatro anos. A ideia central era trabalhar questões como a coletividade e a parceria, como explica Glaucimara Baraldi, coordenadora pedagógica do ensino fundamental II. "Acreditávamos que, reunindo as crianças menores com as maiores, podíamos pensar em uma escola onde elas compartilhassem as aprendizagens, e, portanto, uma escola mais humanizada, em que as pessoas fossem mais responsáveis umas pelas outras, e que isso pudesse aproximá-las."

Durante as atividades, os alunos embarcam em diferentes gêneros textuais – do poema aos quadrinhos, da linguagem verbal à não verbal. Depois, são propostos exercícios relacionados aos textos, para "garantir a compreensão daquilo que se lê", explica a pedagoga. "Você tem várias formas de fazer a leitura do livro." Os alunos criam desenhos, peças de teatro, brinquedos e até intervenções artísticas no ambiente escolar.

Um momento marcante da atividade foi quando os estudantes realizaram uma visita surpresa a diferentes áreas da escola, tanto administrativa quanto pedagógica, e recitaram poemas aos funcionários. "A ideia é que a criança interprete, fale, comente. Sempre penso na importância de os parceiros descobrirem juntos o prazer da leitura", conta Marcelo Brandão, professor de literatura responsável pela elaboração das atividades.

Mas há também momentos em que apenas o contato com o texto basta. É também fundamental "desmistificar que a leitura só se faz no sofá, quieta, em silêncio”, explica Glaucimara. “É preciso ler em qualquer lugar, em qualquer espaço, em qualquer momento." Já Sandra Maghidman, coordenadora do fundamental I, diz que o projeto promove mudanças no ambiente escolar. "Ampliou a visão do aluno, tanto do mais velho quanto do pequeno, do que representa a leitura."

As parceiras de leitura Kitty Fischbein, do primeiro ano, e Stefanie Belelis, do nono ano, por exemplo, auxiliam uma a outra e compartilham conhecimentos nesses encontros. "Ler com ela é mais divertido. Ler sozinha não tem graça e é demorado", conta Kitty. Stefanie também destaca a importância do encontro. "Isso vai nos transformando, nos ajudando a nos tornarmos mais responsáveis e ajudando o parceiro a criar gosto pela leitura."

O momento é, sobretudo, de prazer, como relata a professora Hilveti Gabel. "É um dia em que as crianças ficam bem motivadas. Quando termina a aula, o professor Brandão sempre fala: 'Abraço no parceiro!' e todo mundo se abraça, de emoção mesmo, a gente sente o carinho tanto do mais velho quanto do mais novo, é muito gostoso."

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