Para se aventurar em ilhas verdes

 

Para quem está de férias em São Paulo, uma boa opção de passeio são os parques espalhados pela cidade. Nessas ilhas verdes, em meio ao cinza da capital, dá para convidar os pequenos para caçar folhas brilhantes ou pedras lisas, ouvir o som de frutos maduros caindo do pé, imitar o som das aves ao redor e fazer um diário de natureza, entre outras atividades sugeridas a seguir, todas colhidas no site  GPS da Natureza, onde há também mais dicas de parques e praças perto da sua casa.

 

Ilustração: Marcelo Tolentino

 

Por onde começar? O tradicional Parque Ibirapuera! O local reserva aos seus visitantes aluguel de bicicletas, gramados propícios para piqueniques, um lago delicioso para admirar e uma variedade de museus, como o MAC (Museu de Arte Contemporânea), o MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo), o Museu Afro Brasil, a Oca e o Pavilhão Japonês.

O espaço é grande para realizar uma caça ao tesouro, propondo aos pequenos que busquem pelos seguintes objetos: uma folha verde brilhante; o som de uma fruta caindo no chão; dois tipos diferentes de sementes voadoras; uma folha em formato de coração; pinhas; o som do vento nas árvores; uma pedra totalmente lisa… A lista é você quem faz, dependendo do que a natureza oferecer em determinada época do ano.

Outra sugestão é convidar as crianças para fazer um diário da natureza, em que elas escrevam sobre o tempo, o que conseguem perceber: ver, ouvir, cheirar. Também pode conter desenhos e fotos de plantas ou animais, de diferentes estações do ano. Depois de registrar, é só compartilhar as experiências com os amigos.

O Parque Villa-Lobos também é uma boa pedida para o mês de julho: oferece aluguel de bicicletas, orquidário, horta, ilha musical para shows e concertos, anfiteatro e um bosque de mata atlântica. O espaço ainda tem aparelhos de ginástica, pista de corrida, tabelas de basquete e quadras de futebol de salão, tênis e poli esportivas, além dos campos de futebol.

Uma dica de brincadeira para fazer lá é encontre a árvore, que se joga em dupla. Enquanto um fica de olhos vendados, o outro o guia até uma árvore, que deverá ser explorada, cheirada, abraçada. Depois, o guia o leva de volta ao ponto de partida. A pessoa vendada, agora com a ajuda da visão, deverá descobrir qual árvore era aquela que explorou. Depois, os papéis podem ser invertidos.

Se você procura um lugar mais tranquilo e distante, talvez prefira aventurar-se pelo Parque Estadual da Cantareira, com 7.900 hectares de remanescentes da mata atlântica, além de diversas espécies de animais ameaçados de extinção, como a jaguatirica, o macuco e o bacurau-tesoura-grande. O lugar é ideal para passar um tempo em família, com espaço para piquenique e opções de trilhas para todos os gostos: que garantem vista para a cidade ou acesso à cachoeira.

É o local perfeito para começar uma coleção de folhas de todos os tipos, e até fazer um apito com uma folha pequena, em que só é necessário enrolar a folha e soprar. Outra possibilidade é brincar de estátua enquanto percorre alguma das trilhas: deixe as crianças se guiarem pelos seres e pelas paisagens. Depois, oriente que parem como uma estátua e fiquem alguns instantes sem se mexer, percebendo quanto tempo leva para que a natureza volte a estar no estado em que se encontrava antes da chegada de vocês.

Já o Parque da Água Branca, na zona oeste da cidade, tem atividades diversas, desde espaços para piquenique, aquário, espaços de leitura e o Museu de Geologia (Mugeo). Além disso, há diversos animais que andam soltos pelo espaço que podem ser avistados pelas crianças de perto. Lá há galinhas, patos, pavões, e, claro, cavalos, estes nos estábulos.

E que tal brincar de procurar minhocas? Elas são atraídas para a superfície quando enviamos vibrações ao chão. Basta dar tapinhas na terra com a palma da mão, ou usar uma pá. Uma vez encontradas, dá para brincar de somar quantas são, contar os segmentos de seus corpos, tudo com muito cuidado. Depois, a ideia é soltá-las em um lugar seguro, embaixo de um arbusto de casca de árvore para que possam se proteger dos pássaros.

O Parque do Carmo também é uma boa opção para quem mora na zona leste: o segundo maior parque da capital teve o seu planetário reaberto no ano passado, com visitas gratuitas aos finais de semana. Além disso, conta com o Museu do Meio Ambiente, lagos, anfiteatro, campos de futebol, quiosques, gramados para piqueniques, ciclovia, com o Bosque das Cerejeiras e com o Bosque da Leitura. Lá, uma boa ideia é fazer a caminhada do detetive, em que as crianças deverão utilizar as suas habilidades de espionagem para encontrar coisas da natureza nos lugares mais inusitados, como frestas no cimento das calçadas e muros.

Já no Parque Alfredo Volpi, na zona sul, o destaque são as áreas de recreação infantil, que foram implementadas nas clareiras naturais do local. A maior parte da vegetação é remanescente da Mata Atlântica, e a flora conta com 291 espécies, sendo 12 ameaçadas de extinção. Já a fauna é composta por 110 espécies, sendo a maior parte de aves. E por que não aproveitar isso para brincar de andar de ave? É uma brincadeira de experiências: observe o quanto consegue chegar perto dos pássaros, andando rápido ou devagar, em silêncio ou de modo barulhento. O que eles fazem? Estão cantando? Aproveite para observar esses detalhes.

Enquanto isso, o Parque da Aclimação, no centro da cidade, oferece às famílias um lago, concha acústica e jardim japonês, além de campos para prática de esportes, pistas de corrida e playgrounds. Uma curiosidade é que ele sediou o primeiro zoológico da cidade, ao final do século XIX. Chegou a abrigar animais como um urso-polar, um camelo, hienas africanas, uma sucuri e um peixe elétrico do Amazonas. Hoje, ainda é composto por uma variedade de fauna: são 85 espécies, sendo 65 de aves, como garça, quero-quero, joão-de-barro, sabiá-laranjeira, martin-pescador e chopim.

Na zona norte da cidade, crianças e adultos podem aproveitar tardes livres no Parque da Juventude, localizado no antigo Carandiru. Hoje, o espaço abriga áreas para práticas esportivas, como quadras poliespostivas e de tênis, pistas de skate e ciclovias; além de espaços para shows, e até para os cães. É conhecido também pela Biblioteca São Paulo, que possui mais de 35 mil títulos para a leitura de gente de todas as idades!

O Horto Florestal tem 35 hectares de área destinada ao público, com rica diversidade de fauna e flora, e espécies como eucalipto e pau-brasil, e animais como capivaras, tucanos, esquilos e maritacas. É o lugar perfeito para brincar de adivinha o animal?, em que a criança deve imitar o som de algum bicho e os outros devem descobrir qual é. Ali, os animais podem ser ouvidos e imitados.

Agora é só escolher uma rota, arrumar a bolsa de piquenique, reunir as crianças e seguir para um dos parques da cidade! Ah, e não se esqueça de levar alguns livros para aproveitar uma deliciosa leitura coletiva debaixo de uma generosa árvore.

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