O fiar no palco de uma história

 

Era uma vez uma menina. Ela não era como essas heroínas dos contos de fadas, a esperar eternamente seu príncipe encantado. Sabia muito bem o que queria. Ou melhor, sabia muito bem o que não queria. Não sonhava ser fiandeira como fora a sua mãe, a sua avó, a sua bisavó. Pensava em transformar a roca de fiar em roda de bicicleta e, assim, ganhar o mundo.

Se esta história parece ser familiar, é porque foi baseada em outras muito antigas que estão no nosso imaginário coletivo, como As fiandeiras (ou As três tias), dos Irmãos Grimm, e As três velhas, de Luís da Câmara Cascudo. Mas se a história parece ser um tanto contemporânea, é porque realmente o é: foi escrita e encenada há apenas alguns anos pelo grupo As Meninas do Conto e acaba de ser lançada pela Companhia das Letrinhas.

As velhas fiandeiras é o quinto título da coleção Fora de cena, que reúne textos premiados de dramaturgos contemporâneos dedicados ao público infantil. Com ilustrações de Raul Aguiar, a coleção é organizada pela jornalista e crítica de teatro Gabriela Romeu.

 

 

O texto foi escrito coletivamente pelas atrizes Kika Antunes, Luciana Viacava, Nina Blauth e Simone Grande, em parceria com o dramaturgo Cassiano Sydow Quilici. Foi brincando, cantando e jogando que descobriram as falas da Menina e das três velhas adoráveis, Deduda, Beiçuda e Pezuda. Na narrativa, as personagens femininas têm vontades, sonhos e questões. Em troca de reconhecimento, as velhas oferecem ajuda à Menina. A Menina, por sua vez, busca apenas a liberdade.

"A história é muito contemporânea. Apesar de ser um conto da tradição, [a Menina] quer romper com o que é da família, quer crescer. É uma menina que quer construir sua própria história", diz Simone Grande. Mas, "para que ela saia do destino traçado, tem que reconhecer de onde vem, sua tradição", completa Cassiano Sydow Quilici.

Confira, no vídeo acima, uma conversa divertida com os autores de As velhas fiandeiras, que terá lançamento no domingo, dia 12/11, na Livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, 915), das 15h às 18h.

 

 

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