O direito fundamental de ler numa rede amazônica

 

“BombomLER

Biblioteca Comunitária itinerante

Está na praça com seu carrinho

Leitura circulante

O carrinho antes abrigava

Bombons, chicletes, pirulitos

Agora carrega livros

E outros sonhos bonitos

Primeiro nasceu Gibiteca

Em duas escolas fez circularidade

Depois trilhou novos caminhos

E agora alegra a comunidade

Quem pintou o carrinho

Foi o Marcelo, menino arteiro

Coloriu com sua grafitagem

O seu visual inteiro

Desde  abril de 2017, duas voltas em torno do sol

Bombomler já fez dois aniversários

O vai e vem da leitura 

Já entrou para o calendário”

 

Assim se apresenta a Biblioteca Itinerante BombomLER, um projeto de promoção da leitura que funciona num carrinho ambulante de bombom, espalhando “gostosuras literárias”, incentivando e promovendo a leitura no bairro de Marambaia, em Belém. O projeto, que atende cerca de 50 crianças e jovens mensalmente em suas atividades ao ar livre, é um dos integrantes da Rede de Bibliotecas Comunitárias Amazônia Literária.

 

 

 

A Rede Amazônia Literária nasce da união espontânea de bibliotecas comunitárias da chamada Grande Belém, a região metropolitana da capital do Pará, que resistem à ausência de ações e políticas públicas de incentivo à leitura, que se reuniram com o principal objetivo de promover em diversas comunidades de áreas periféricas do município a literatura como um direito humano.

Para tal, a rede conta não apenas com a participação de educadores e bibliotecários dessas unidades, mas também com a própria comunidade desses espaços, agregando qualquer interessado nos processos e incentivos à leitura com fóruns populares de discussão sobre o tema. Os agentes culturais ligados à cadeia produtiva do livro e leitura, como escritores, ilustradores e mediadores, também podem fazer parte da rede, auxiliando as bibliotecas participantes em atividades regulares de mediação de leitura, contação de histórias, saraus e “Ruas de Leitura”, evento integrado que leva atividades literárias e culturais para espaços públicos.

 

 

 

Parte de um grande projeto de leitura

A Amazônia Literária constitui uma das redes locais da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), organização mãe desse grande projeto de apoio e incentivo à leitura, com irmãs no Maranhão, no Ceará, em Pernambuco, na Bahia, em Minas Gerais, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, todas seguindo o mesmo compromisso de articular bibliotecas comunitárias pela garantia do direito à leitura, ao livro e à literatura.

Hoje, além da Biblioteca BombomLER, a Amazônia Literária também conta com quatro outras unidades. Uma delas é a Biblioteca Comunitária Moara, localizada no em Ananindeua, próxima ao Parque Ambiental do Utinga e do antigo lixão do Aurá. A comunidade Moara, a qual deu o nome à biblioteca, é formada por ex-catadores de materiais recicláveis. Por estar em área de limite entre municípios, a atuação do poder público é mínima, principalmente no que diz respeito a saneamento, saúde e educação. A Moara, então, oferece aos seus usuários atividades que extrapolam as páginas dos livros: há prática da meditação e exercícios de yoga, convivência e cuidado com a natureza, alimentação vegetariana e atividades para o desenvolvimento integral e saudável da comunidade em seu entorno.

 

 

 

Outro exemplo é a Biblioteca Comunitária Carolina Maria de Jesus, formada pelo coletivo de mulheres do Mamep (Movimento e Articulação de Mulheres do Estado do Pará), com o Espaço Cultura Nossa Biblioteca (ECNB). Numa parceria com o Estado e a sociedade civil, a biblioteca desenvolve atividades que buscam refletir sobre gênero, o combate ao racismo e a promoção de uma sociedade mais igualitária, como previa a escritora que dá nome ao local – Carolina Maria de Jesus, uma das mais importantes escritoras negras do Brasil, conhecida por seu livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, publicado em 1960.

 

 

 

A Rede Amazônia Literária entende que “o poder público deve assumir seu papel na responsabilidade de incentivar a formação de pessoas críticas e capazes de entender suas realidades e de construir novas narrativas de trabalho conjunto entre sociedade e estado”, como explica texto publicado no site da rede. Na carência do apoio governamental para trazer a leitura aos usuários, as bibliotecas, cada uma  com seu recorte, atendem às especificidades da sua comunidade e ainda defendem a ideia de “um novo paradigma para a leitura, não restrita apenas à decodificação de textos escolares”. Para a BombomLER, além da poesia, outro jeito de alcançar esse sonho é também cantando e se divertindo:

 

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