No ritmo da “cantação” de histórias

 

Desde as primeiras canções de ninar, a música embala nossa vida, tornando situações diárias, sentimentos e vivências mais encantados com ritmos, harmonias e melodias. É uma linguagem humana universal. É por isso que, para celebrar essa arte, existe desde 1975 o Dia Internacional da Música, criado pela organização não governamental International Music Council (IMC), ligada a Unesco, tendo como principal objetivo promover por meio dos sons valores de paz e amizade.

 

Alguns dos direitos relacionados à música e aos músicos promovidos pela IMC

 

E apesar da literatura e da música serem duas artes distintas, elas não andam distantes: caminham lado a lado por conta da sonoridade, do ritmo das palavras e da capacidade de comover o leitor (ou o ouvinte) que as apreciam. Na literatura infantil, o uso da música tem um papel importante, ajudando a criança na conquista da leitura e do letramento de um modo cheio de encantamento.

 

Que tal conhecer uma lista de livros cheios de sonoridades? Confira a seguir.

 

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A arca de Noé

Os poemas infantis de Vinicius de Moraes conquistaram gerações de crianças brasileiras nas suas versões musicais. Os discos A arca de Noé 1 (1980) e A arca de Noé 2 (1981) traziam composições como O pato, A casa, O gato e O pinguim, que se tornaram famosas nas vozes de Chico Buarque, Milton Nascimento, Toquinho e tantos outros intérpretes. No livro A arca de Noé, todos os 32 poemas da edição original, publicada pela Companhia das Letrinhas em 1993, entram na nova edição com as artes do premiado ilustrador mineiro Nelson Cruz.

 

O poeta aprendiz

A primeira versão de O poeta aprendiz foi escrita também pelo poeta Vinicius de Moraes em 1958, incluída depois no livro Para viver um grande amor, de 1962. Anos depois, o poema viraria canção, em parceria com Toquinho. E de canção, virou livro-disco idealizado por Adriana Calcanhotto, que interpreta a música e assina as ilustrações, pensado como um presente para Nina, afilhada da cantora e bisneta de Vinicius. O livro-disco que acompanha a edição traz também o próprio Vinicius lendo o poema e uma faixa com karaokê para que o ouvinte possa experimentar o prazer de interpretar a canção.

 

Quem tem medo de Curupira?

“Se tivesse que ‘nomear’ esse espetáculo, diria que é uma chanchada infantil”, diz Zeca Baleiro, autor de Quem tem medo de Curupira? na entrevista que aparece no livro. É a primeira obra infantil do cantor e compositor maranhense e sua estreia no universo do teatro musical. O texto depois se tornou um dos títulos da coleção Fora de cena, que inclui também um glossário de ritmos brasileiros. E a trilha sonora do livro, cheia de diversos ritmos, pode ser ouvida no próprio site do artista!

 

Memórias póstumas de Noel Rosa

Noel Rosa está entre os maiores nomes da música brasileira, viu o samba despontar entre as diversas classes sociais, o nascimento do rádio, o Carnaval, o Brasil do início do século XX. E se, além de cantar, ele resolvesse contar toda essa história? Nesta biografia ficcionalizada, o “Poeta da Vila” está no céu e, a partir de uma sugestão do amigo São Pedro, narra a história da sua vida com gosto e humor. Suas memórias póstumas são escritas por Luciana Sandroni e Maria Clara Barbosa num livro para crianças e adultos. No final da obra, além de um glossário que aprofunda tópicos importantes sobre a música da época, estão disponíveis as partituras com sugestões de arranjos de doze canções de Noel.

 

Quando Blufis ficou em silêncio

O dramaturgo Gustavo Kurlat também mergulha nessa relação estreita entre a música e a literatura. Mas, se a música usa dos sons e do silêncio para contagiar seus ouvintes, no livro Quando Blufis ficou em silêncio, Kurlat brinca com o desaparecimento de uma das canções mais afetivas ao ser humano: a cantiga de ninar. Na obra, a protagonista Nina observa a cidade de Blufis pelo luneidoscópio, espiando a noite, já que sua mãe fica no trabalho até tarde, e procura canções de ninar entoadas por outras mães. No entanto, de uma hora para a outra, todas as canções de Blufis somem de vez. E agora? A missão da menina é descobrir o que está acontecendo e ajudar todas as pessoas sem sono – é que, sem as canções, as crianças foram desdormindo, desdormindo...

 

Livro do guitarrista

Em 1970, aos dez anos de idade, Tony Bellotto viu numa revista a foto de um homem empunhando uma guitarra branca e brilhante. Decidiu que aprenderia a tocar o instrumento, mas naquela época não era muito fácil achar professor de guitarra. O que ele conseguiu foi uma professora de violão que acompanhava o coro nas missas de domingo – um começo interessante para quem se inspirou com uma foto de Jimi Hendrix. O guitarrista da banda Titãs conta esta e outras histórias no Livro do guitarrista, terceiro volume da Coleção Profissões, que também possui o Livro da música entre seus títulos! Na obra, o músico fala do seu trajeto como instrumentista, tendo a história do rock como plano de fundo, com todas as bandas, guitarristas e estilos que marcaram épocas.

 

O gigante

Teotônio Parrudo Garrido Golias Galante Lacerda Pedroso Peixoto Cardoso Carvalho Cabral Cavalcante – ufa! – era um gigante tão grande quanto o seu próprio nome. Ele buscava um lugar pra morar, mas, com todo aquele tamanho, foi muito difícil de achar, até que encontrou um lar mais do que extravagante. Como deve ser esse lugar? O gigante foi inspirado na música homônima do grupo Tiquequê. Essa história bilíngue conta sobre um gigante e seu jeito de ser. Além do texto solto e engraçado, originalmente uma canção do grupo Tiquequê, o livro também traz uma reflexão sobre as diferenças do texto em inglês e português e um CD com as versões da música nos dois idiomas e outra instrumental.

 

De todos os cantos do mundo

A origem do canto é misteriosa. Segundo Heloisa Prieto e Magda Pucci, há uma ligação muito forte entre o surgimento da música e o da linguagem falada. Se a música é uma linguagem universal, cada povo tem uma voz única e especial, e vale a pena ouvir cada uma delas. De todos os cantos do mundo conta sobre os cantos de todos os cantos da terra: doze músicas pesquisadas e executadas pelo grupo Mawaca com histórias de culturas e povos tão distantes quanto diversos, histórias ampliadas pela narrativa de Prieto. O livro traz também há um CD para ouvir as faixas mencionadas – que tratam de curar os doentes, adormecer as crianças, seduzir a quem se ama, num convite para abrir a cabeça, o coração e os ouvidos a sons vindos de todos os cantos: Irlanda, Japão, México, Bulgária, Israel, Brasil...

 

Cantisapos, histocarés e cirandefantes

Como o próprio nome já diz, as cantigas de ninar deveriam fazer as crianças dormirem, embaladas pelo ritmo sereno de suas melodias. Mas nem sempre é assim. Neste livro escrito por Sinval Medina e ilustrado por Renata Bueno, o que acontece é o contrário: as cantigas, as cirandas e outras músicas do nosso folclore trazem é muita animação! Em Cantisapos, histocarés e cirandefantes, cada melodia das canções tradicionais ganhou uma letra totalmente diferente da original, e cabe ao leitor descobrir qual é a canção que foi usada como inspiração e depois criar a sua própria versão. Nas páginas do livro estão ainda muitas curiosidades sobre as cantigas. Não vai ser difícil soltar a voz e embarcar nessas musicórias e melotextos.

 

Amoras

Em seu primeiro livro infantil, o rapper Emicida conta com simplicidade e poesia a importância de nos reconhecermos nos pequenos detalhes do mundo. O texto ganhou uma versão animada e musicada, na qual Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. A partir desse rap e com as ilustrações de Aldo Fabrini, Amoras ressalta a importância de nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre.

 

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