Muito além do diário de Anne Frank

 

Anne Frank nasceu no dia 12 de junho de 1929 em Frankfurt, na Alemanha. Ainda em seus primeiros anos de vida, devido a problemas financeiros e ao crescente antissemitismo, sua família se mudou para Amsterdam, na Holanda. Em 1940, o exército alemão invadiu o território holandês. A família Frank, então, passou mais de dois anos escondida em um anexo de uma casa, assim como a família van Pels e o dentista Fritz Pfeffer. Em 1944, todos tiveram seu paradeiro descoberto e foram levados para o campo de concentração de Auschwitz. Anne e sua irmã mais velha Margot foram separadas da mãe Edith e transferidas para o de Bergen-Belsen, onde ficaram doentes e morreram em fevereiro de 1945. Em abril desse mesmo ano, as tropas inglesas libertaram o campo. Em 2019, a jovem escritora completaria 90 anos.

A história de Anne Frank é conhecida (seu diário vendeu mais de 35 milhões de exemplares no mundo) e, de maneira particular, ilustra a realidade de milhões de vítimas do Holocausto. Inevitável pensar como estaria a vida de uma menina que registrou tanta esperança nas páginas de seu diário. Anne gostava de ir ao sótão, onde podia ficar sozinha e observar a natureza pela janela. De lá, a menina avistava uma árvore e, ainda que não fosse uma paisagem espetacular, a inspirava a sonhar sobre as experiências que ainda teria quando estivesse livre: "‘Enquanto isso existir’, eu pensei, ‘este sol e este céu sem nuvens, e enquanto eu puder desfrutar disso, eu não posso ficar triste’”.

 

Foto retirada do livro Tudo sobre Anne

 

Para responder às principais dúvidas dos visitantes do museu, a Casa Anne Frank produziu um livro que será lançado neste mês pela Companhia das Letrinhas. Tudo sobre Anne conta a história da garota a partir de aspectos diversos de sua vida cotidiana. Traz fotos e outros registros iconográficos, tal como posters publicitários da empresa de Otto Frank e versos de Anne no caderno de uma amiga, além de um encarte explicando alguns acontecimentos da guerra. Em tempos em que a informação sofre constantes ataque a fatos históricos, questionados ou distorcidos, este livro apresenta às crianças, a partir de um apanhado documental, as consequências de um passado, infelizmente, não tão distante. 

Para não esquecer (nem distorcer), vale ler o livro – e saber mais dessa história na internet, nos quadrinhos e no cinema. Confira a seguir!

 

Casa Anne Frank

Como citado anteriormente, Anne gostava de passar um tempo sozinha no sótão. No site da Casa Anne Frank, você pode passear virtualmente pelo anexo secreto onde a menina e a família ficaram escondidas e, inclusive, conhecer o sótão e a janela a que ela se referia no diário. Em cada cômodo, itens da mobília direcionam a textos ou a vídeos explicativos, que trazem conteúdo sobre acontecimentos e personagens que Anne escreveu. Sobre o acervo do site, também é possível acessar artigos que discutem questões como: “a família Frank foi traída e por isso teve seu esconderijo descoberto?” ou como se deu “a ascensão de um regime ditatorial na Alemanha de 1933”. O portal não disponibiliza o idioma português para a navegação, mas, com o próprio plug-in do Google, essa tradução pode ser feita.

 

Foto retirada do site annefrank.org: Tour virtual pelo anexo secreto

 

História em quadrinhos

A história de Anne Frank também conta com a versão ilustrada. Tendo entrado em contato com os arquivos da Casa Anne Frank, os quadrinistas Sid Jacobson e Ernie Colón criaram uma graphic novel da história da menina, publicada em 2017. Esta versão se assemelha ao lançamento Tudo sobre Anne, poistambém traz uma contextualização histórica e apresenta o resultado de uma pesquisa documental cuidadosa. Ambos autores declaram, em vídeo, terem se sentido honrados com essa parceria com a Casa e se orgulham por terem sido os primeiros a terem a autorização para transformar a biografia de Anne em quadrinhos. Acreditam que relatar a guerra de forma pictórica ajuda a atrair crianças, e o livro, eles definem, é a “coroa de suas carreiras”.

 

 

Adaptação para o cinema

Dirigido por George Stevens, em 1959, o longa O diário de Anne Frankteve seu roteiro baseado no livro e na peça teatral de Frances Goodriche Albert Hackett. Cotada por Otto Frank para interpretar Anne, Audrey Hepburn não aceitou o papel devido à lembrança sombria de sua própria experiência nos tempos de guerra. “Em minha adolescência conheci a garra fria do terror humano”, escreveu depois. “Eu o vi, o ouvi e o senti. É algo que não desaparece. Não foi um pesadelo. Eu estive lá, e tudo isso aconteceu.” Apesar de não contar com o nome da atriz britânica no elenco, o filme foi bem recebido pela Academia e recebeu três Oscars na premiação de 1960, nas categorias de melhor atriz coadjuvante, melhor direção de arte e melhor fotografia.

 

Cena de The Diary of Anne Frank (1959)

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