Livros para celebrar o folclore brasileiro

 

Histórias que submergem dos rios brasileiros, correm por todas as regiões do país, resistem nas matas e são também lembradas nas selvas de pedras. As muitas narrativas da sabedoria popular brasileira são há tempos (re)contadas ao pé da fogueira ou do fogão, em casa ou na escola, no campo e na cidade. E, no mês de agosto, essas histórias que ajudam a constituir a identidade nacional têm uma data especial para serem lembradas: desde 1995, em 22/8, comemora-se o Dia do Folclore.

Por isso fizemos uma seleção de obras que buscam recontar das mais diferentes maneiras as narrativas que guardam muito da sabedoria popular brasileira. Confira a seguir histórias de seres de dar medo, alguns bem traquinas e outros pra lá de solitários, todos bastante fortes no imaginário popular brasileiro, relembrados por autores como Ana Maria Machado, Drauzio Varella, Ilan Brenman, Heloisa Prieto e Zeca Baleiro.

E os assinantes do Expresso Letrinhas não vão ficar de fora da comemoração. Com a edição de agosto toda voltada para o tema, as crianças de até seis anos (Faixa A) receberão um exemplar de Bebês brasileirinhos, de Lalau e Laurabeatriz. As que tiverem de sete a nove anos poderão ler Mula sem cabeça: a origem, de Ilan Brenman; e as de 10 a 12 anos (Faixa C), Chapeuzinho esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial, de Ethel Johnston Phelps. Todos também receberão o clássico Nas águas do rio Negro, de Drauzio Varella. Uma novidade do Expresso, aliás, é de que algumas de suas edições terão uma curadoria especial, já começando em setembro, quando o próprio Drauzio escolherá as obras que chegarão às casas dos viajantes. 

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Histórias de perder o fôlego

 

As narrativas que dão vida aos quatro volumes de Histórias à brasileira vêm da época em que a filha de Ana Maria Machado ainda era pequena. Com as visitas frequentes de amigas e primas, quando acabava a luz, sobrava para a mãe entreter as crianças com os mais variados contos que ouvira de sua família. E quando a luz voltava, fingiam que ainda estavam sem televisão e continuavam a ouvir as histórias que mais tarde virariam livro.

 

Folclore em série

 

Ernani Ssó gosta tanto das histórias brasileiras que escreveu a coleção Narrativas do Folclore, uma série de sete livros apenas com esses contos tradicionais. Cada obra é ilustrada por um artista diferente, como Renato Moriconi, Edgar Vasques, Nelson Cruz e Marilda Castanha. Não faltam assuntos como morte, gigantes, bichos esquisitos e muito mais!

 

Histórias que traçam a sabedoria popular

 

Em Mata: contos do folclore brasileiro, Heloisa Prieto dedica-se a contar os ensinamentos guardados justamente nessas histórias de folk (gente, pessoas comuns) e lore (saber), uma vasta sabedoria popular. A autora leva o leitor a viajar pelas narrativas do pó de jararaca, da noite do nunca-mais e até dos sete fios d'água. Tudo com as ilustrações de Guilherme Vianna.

 

Os assombros brasileiros

 

O Brasil também é terra de monstros que assombram nossas rodas de história! Já ouviu falar do Caboclo-d'Água, do Gorjala ou até mesmo da Cabra Cabriola? Pois prepare-se para conhecê-los em Nove monstros perigosos, poderosos e fabulosos do Brasil, de Flavio de Souza. As histórias vêm acompanhadas de ilustrações em que o desafio é achar a terrível criatura.

 

As narrativas dos quatro cantos do Brasil

 

As principais histórias do folclore brasileiro, divididas nas diferentes regiões deste país de dimensão continental. Assim é composto Viagem pelo Brasil em 52 histórias, de Silvana Salerno, com ilustrações de Cárcamo. A obra convida o leitor a conhecer esse grande território por diversas narrativas, muitas delas circunscritas a um tempo distante.

 

Para conhecer a Amazônia

 

Para todas as crianças que não conhecem a região Norte do país, uma boa oportunidade de adentrar esse território é justamente pelas suas histórias. Em Qual é o seu norte?, Silvana Salerno aproxima o leitor das narrativas da árvore sumaúma, da chegada do regatão e de Macunaíma. Entre um conto e outro, há informações sobre os remédios da região, as brincadeiras indígenas ou os animais que vivem por ali.

 

As criaturas que circundam a água

 

Quantos mistérios um rio pode guardar em suas águas? Drauzio Varella é testemunha da quantidade de narrativas existentes nas bacias hidrográficas do país, ouvidas em suas diversas viagens ao rio Negro. Algumas dessas histórias desaguaram no livro Nas águas do rio Negro, ilustrado por Odilon Moraes. São protagonistas da obra personagens como o Curupira, a Mula sem cabeça, a Cobra-Grande e o Boto-Cor-de-Rosa.

 

A maldição da jovem Isoldinha

 

Isoldinha era só uma moça de 18 anos que tinha uma vontade louca de beijar o padre da pequena cidade em que vivia. Quando criou coragem e finalmente realizou esse desejo proibido, no entanto, transformou-se em uma assustadora criatura temida por todos na vizinhança. Descubra essa história em Mula sem cabeça: a origem, de Ilan Brenman, com ilustrações de Marjolaine Leray.

 

Traquinagem atrás de traquinagem

 

Se alguma coisa estranha acontece na sua vida, já pode procurar o Saci… Afinal, a personagem de uma perna só vive por aí pregando peças em todo mundo. Uma dica: você pode encontrar esse traquinas perto de algum bambuzal ou redemoinho. Em Saci: a origem, o escritor Ilan Brenman trata do surgimento dessa grande figura do folclore brasileiro. As ilustrações são de Guridi.

 

Os perigos da cidade grande

 

Quando as crianças começam a se esquecer do Curupira, grande guardião da floresta, é hora dele e de todas as figuras do folclore brasileiro visitarem a cidade para não resgatar algum reconhecimento – ou não caírem de vez no esquecimento. Em Quem tem medo de Curupira?, peça de teatro escrita por Zeca Baleiro e com ilustrações de Raul Aguiar, o que não faltam são confusões causadas por figuras como Caipora, Boitatá, Mãe-d'Água e Saci.

 

Histórias que costuram o mundo

 

O elemento condutor das narrativas contadas por Ana Maria Machado em Ponto a ponto é o próprio fio da costura. Com ilustrações de Christine Röhrig, o livro traz histórias de diferentes tempos e espaços – das Parcas da Grécia Antiga à Muié Rendeira do Nordeste brasileiro, entre outros contos de mulheres de origens variadas conectadas pelo ofício da costura.

 

Quando um pescador encontra uma peixa

 

Pode um homem apaixonar-se pelo animal que caça? Pois é isso o que acontece em Jonas e a sereia, obra de Zélia Gattai e ilustrada por Flávio Morais, que conta a origem de uma criatura mitológica um tanto famosa. Nessa versão para lá de brasileira, descobrimos como surgiram as sereias, seres metade peixe e metade humano que encantam há milênios marinheiros em diversas culturas do mundo.

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