Frida Kahlo para meninas e meninos

“Para que preciso de pés se tenho asas para voar?”, questionou em vida a pintora mexicana mundialmente reconhecida, Frida Kahlo. Símbolo atual de força feminina, ela teve uma vida repleta de dificuldades, como a poliomielite aos seis anos de idade e um acidente de ônibus que quase a matou, aos 18. Quase tão icônica quanto a sua arte, a história de vida que a acompanha é agora contada e experimentada por crianças na exposição Frida e eu, que acaba de ser inaugurada na Unibes Cultural, em São Paulo.

No espaço, ao percorrer instalações interativas, os visitantes são convidados a interagir com diferentes aspectos da vida da artista. As crianças podem – e devem – tocar, explorar e criar com elementos do universo de suas pinturas a partir de criativos jogos de montar de desmontar. “Chega uma criança pequena, e a mãe diz ‘não, não pode mexer’. Aqui é justamente ao contrário, pode interagir com os dispositivos, pode mexer com absolutamente tudo e, com isso, aprender a respeito da história da artista”, conta a organizadora da mostra, Daniela Schlochauer.

São seis os temas que dividem a exposição. Logo na entrada, a seção Frida e Autorretrato trata das obras em que a artista pinta a si mesma. Ao usar diferentes cores e elementos da cultura mexicana, como máscaras e flores, os visitantes são desafiados a criar uma composição de um cenário utilizado para clicar sua própria fotografia. Há ainda brincadeiras com ímãs para que as crianças possam explorar sua imaginação.

Na área seguinte, denominada Frida e Dor, é apresentado um aspecto da vida da pintora que a acompanhou durante muitos anos, já que foi tomada por muitas doenças e sofreu um acidente que impediu a sua locomoção por meses. No período em repouso, iniciou a criação dos autorretratos, graças a um cavalete especial que seus pais lhe deram e que lhe permitia pintar deitada. O visitante pode deitar e experimentar a forma inusitada como desenhava, enxergando a si mesmo através de um espelho no teto.

A montagem também fala da relação de Frida com a natureza num espaço em que o público pode sentar e ouvir os sons que seriam de seu jardim, lugar onde costumava passar muito tempo. Essa etapa é mais contemplativa, já que não apresenta nenhuma informação nova sobre a pintora ou sobre a sua obra. As crianças, nessa seção, não se demoram muito, já que as instalações apresentam pouca interatividade, ao contrário do restante da exposição.

A área que desperta mais atenção do público é a que expõe a relação entre a consagrada pintora e seu marido, Diego Rivera. Ela é acompanhada de áudios e vídeos gravados na famosa Casa Azul onde viveram, além de espelhos que evidenciam as diferenças entre os dois – ele, 20 centímetros mais alto do que ela e ao menos 20 quilos mais pesado. Nessa seção, há uma série de objetos pré-hispânicos que o casal costumava colecionar. Ali, as crianças podem tocar e ouvir mais sobre a história de cada um.

Quanto à área destinada à relação de Frida com a sua família, a criança pode desenhar a sua própria árvore genealógica, além de recriar a da artista mexicana. A família da pintora foi sua grande incentivadora no mundo das artes, e, apesar de ter sido mais próxima ao pai, a convivência com as irmãs mais velhas garantiu fortes referências do universo feminino.

A última seção, sobre sua estadia em Paris a convite do pintor surrealista André Breton, convida as crianças a compor figuras desse movimento artístico, sem necessidade de um sentido lógico, a partir das imagens de animais e de figuras típicas da cultura mexicana. Durante a passagem de Frida pela capital francesa, ela teve contato com os pintores do movimento e chegou a expor alguns de seus trabalhos na afamada galeria Pierre Colle.

“Vi essa exposição em Paris há alguns anos e me apaixonei por ela, pela possibilidade de contar criativamente a história de uma artista que é tão conhecida e tão importante de uma maneira muito leve, mas, ao mesmo tempo, sem maquiar sua história. A gente fala de Frida e a dor ou de Frida e família, sempre contando a real”, diz a organizadora da mostra no Brasil.

Anote na agenda

Exposição Frida e eu

Onde: Unibes Cultural (r. Oscar Freire, 2.500, próximo metrô Sumaré)

Quando: segunda a sábado, das 10h30 às 19h30; até 30 de junho

Quem: indicada para crianças com idades entre 5 e 10 anos

Quanto: de R$ 12 a R$ 30; grátis às segundas (reserva antecipada)

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