Contos da tradição oral: poder e encantamento

Silvana Salerno ainda hoje pede pro Negrinho do Pastoreio auxílio para encontrar seus objetos perdidos, já Heloisa Prieto recorda sempre que aprendeu sobre os Sacis com os boiadeiros na infância. A escuta atenta da roda de histórias, no silêncio das matas, provoca mil e uma possibilidades literárias para duas autoras paulistas, ambas dedicadas em traduzir a oralidade para escrita sem que se percam os mistérios das encantarias.

Guardiã da imaginação, Heloisa vê a literatura como necessidade de tradução para aproximar pessoas de culturas diversas. “A fala mágica é uma fala tradutória, de quem observa os cotidianos e transforma o que vê numa linguagem que encante”, explica a autora de Mata – Contos do folclore brasileiro. Silvana reconhece a mesma paixão pela tradição oral, levando a seus leitores essa memória fundamental sobre nossas origens, algo precioso para autoestima de um povo.

Curiosamente, as duas se encontram na viagem pelo imaginário da etnia Ticuna: Heloisa por viver um período com esse povo, Silvana por contar suas histórias em Qual é seu norte? – Viagem pelo Brasil. As histórias da tradição oral proporcionam, segundo Silvana, um "conhecimento dos sentimentos", como a traição, o amor, a justiça, apresentados com clareza.

Nessa ciranda de contos cheios de encantamentos, as crianças podem até virar bruxa e não mais voltar, como a história recontada no livro Mata. Nas regras da tradição oral, não há negação dos perigos, medos e dilemas. “Há uma dramaticidade mítica, simbolicamente existe um risco”, diz Heloisa.

Confira no vídeo a seguir o bate-papo das duas autoras sobre o tema.

 

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