As bibliotecas mais curiosas do Brasil!

 

 

Um ponto de ônibus, o interior de um táxi, um açougue, um cemitério: os locais mais inesperados e curiosos têm sido transformados em pontos de leitura e compartilhamento de livros. Sim, as histórias precisam estar em todos os cantos! No formato de bibliotecas móveis, instalações ou ações de leitura, esses ambientes não foram criados primariamente para essa função, mas encurtam os caminhos entre os leitores e as narrativas. Hoje, no Dia Nacional da Biblioteca, celebre a leitura e conheça alguns deles!

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Ponto de ônibus

Enquanto o ônibus não vem, o que acha de escolher um bom livro para sua viagem? Em Belo Horizonte (MG), o Ponto do Livro coloca diversos títulos à mostra em displays transparentes para serem escolhidos por um novo dono – até terminar sua leitura. Pelo menos 8 mil livros já foram distribuídos pelo projeto, e quem quiser ajudar pode doar seus exemplares nesse mostruário mesmo.

 

Táxi

O Bibliotáxi começou na Vila Madalena, em São Paulo, com apenas um táxi que disponibilizava os livros doados pelos moradores do bairro. Logo, o jornalista Gilberto Dimenstein, morador do bairro e fundador do Catraca Livre, procurou Tallis Gomes, fundador da Easy Táxi, para implementar e alavancar o projeto, que cresceu para outras capitais brasileiras e países como Chile, Peru e Colômbia. Hoje, com o apoio de editoras como a Companhia das Letras, o usuário leva para casa a obra que mais lhe interessar e pode devolvê-la na próxima corrida, trocá-la por outro livro ou até mesmo ficar com o título escolhido – a devolução não é obrigatória, uma vez que o projeto tem como objetivo principal promover a leitura.

 

Bicicleta

Em duas rodas, uma biblioteca itinerante se desloca entre os bairros de Niterói, no Rio de Janeiro. Lucas Garcia Nunes, mestre em Cultura e Territorialidades da UFF (Universidade Federal Fluminense), encontrou nas pesquisas do poeta Mário de Andrade a inspiração para a iniciativa dividida em três ações: “Os Contos de Bicicleta”, “Os Caminhos de Mário de Andrade” e o carro-chefe do Ciclista Aprendiz, a “Cicloteca”. Todas elas buscam levar livros e suas histórias às mais diversas pessoas, estimulando o hábito da leitura.

 

Borracharia

Borrachalioteca, como o próprio nome indica, é uma inusitada fusão de borracharia e biblioteca. Criado há 12 anos, o espaço dedicado a pneus começou a abrigar 70 livros para empréstimo. Hoje, reúne um acervo com mais de 16 mil títulos à disposição dos moradores de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), além de contar com outras unidades ‒ inclusive, uma biblioteca (auto)móvel.

 

Açougue

Luiz Amorim começou a trabalhar cedo num açougue. Aos 16 anos, quando foi alfabetizado, a primeira publicação que leu, um gibi de filosofia, mudou sua vida. Em 1994, quando conseguiu comprar o açougue onde trabalhava, ele organizou uma prateleira com dez livros para emprestar aos clientes, enquanto aguardavam a mercadoria. Hoje, na Asa Norte de Brasília (DF), o Açougue Cultural T-Bone é o ponto de encontro para festivais de música, bienais de poesia e projetos de incentivo à leitura homenageados inclusive pela Associação de Bibliotecários do Distrito Federal, com bibliotecas que se espalharam para além do açougue.

 

Geladeira

Também em Brasília (DF), uma geladeira abandonada na rua foi reformada pelos grafiteiros Mamá, Micro Svc, Julimar dos Santos e Thls Rafael, que a rechearam de livros destinados a quem quisesse emprestá-los – esse é o projeto Refresque Ideias, com ações culturais espalhadas em cada vez mais localizações da cidade. A mesma ideia rolou em São Paulo, pela parceria da Prefeitura Regional Jaçanã/Tremembé com o projeto Você Tem Fome de Quê?, resultando na Gelateca, que também funciona com base na doação e no compartilhamento de livros.

 

Praia

Sol, praia, água de coco e… Um bom livro! Pensando nessa mistura, o governo do Paraná desenvolveu, no verão de 2013, o projeto Bibliopraia, permitindo o empréstimo de livros e revistas de forma simples e sem burocracia. Cada Bibliopraia possui 1.200 títulos de diferentes estilos literários e quem tiver interesse precisa deixar apenas o nome e um número de telefone para contato, e a devolução pode ser feita em qualquer uma das unidades nas praias de Caiobá, Guaratuba, Pontal do Paraná e Paranaguá.

 

Cemitério

Uma casa antigamente habitada pelo coveiro, dentro do cemitério mais antigo de São Paulo, também virou espaço de leitura. Parece assustador? Na realidade, a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura é simpática e acolhedora, pensada como um ambiente para toda a comunidade, por meio da literatura e de atividades culturais. O projeto surgiu por iniciativa do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac), que trabalha no processo de democratização e empoderamento das comunidades, realizando no Cemitério da Colônia saraus, cortejos, clubes e mediações de leitura, além de exibições e debates de filmes.

 

Toda a cidade

Consegue imaginar uma cidade inteira como uma grande biblioteca, onde os leitores encontrassem livros sem donos enquanto caminham pelas ruas? Essa é a ideia do Esqueça um Livro, que combina leitura e urbanidade inspirada no conceito de BookCrossing, criado nos EUA no começo dos anos 2000. O objetivo do projeto é doar livros “esquecendo-os” em lugares estratégicos para que, de forma gratuita, eles possam ser encontrados por potenciais leitores, que por sua vez esquecerão outros livros. A sugestão é que se escreva também bilhetinhos nos livros como “Você que achou esse livro! Agora ele é seu, que tal ler e depois repassar?”, sempre focando em disseminar a leitura e o conhecimento em todos os espaços.

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