A vez dos livros informativos

É tempo de novidades no mundo da literatura para a infância: é que acontece nesta semana a 54a Feira de Livros Infantis de Bolonha, na Itália, meca de quem escreve, ilustra e edita obras dedicadas aos pequenos leitores. O evento, que reúne 1.300 editoras de 75 países, é um termômetro e aponta tendências: estão em alta os livros informativos, ricamente ilustrados, incluindo obras que tratam de questões políticas, do feminismo, das guerras e de suas consequências ao redor do mundo.

É o que nos conta Mell Brites, editora da Companhia das Letrinhas, depois de circular pela feira nos últimos dois dias. Nos estandes, principalmente das casas editoriais da Europa e da América Latina, chamam a atenção obras que destacam mulheres relevantes, revolucionárias e inspiradoras. “Isso está bem forte no Ocidente. Cada editora tem seu livro nessa linha”, observa. Malala, que fica entre as questões políticas e feministas, é ainda uma figura de bastante destaque.

Entre os livros de não ficção, há obras com paródias políticas, além de abordagens especiais sobre guerras e refugiados. “Os livros infantis acompanham de alguma forma as mazelas do mundo adulto.”

Os estandes, no entanto, trazem também de tudo um pouco. Mell cita um livro polonês sobre mapas do mundo todo e uma coleção argentina que trata de matemática de um jeito divertido. “A nova onda são livros informativos bem ilustrados, refinados.” Abaixo, um exemplar de obra de não ficção que trata de cidades ao redor do mundo.

 

O evento, que segue até quinta (6/4), também já fez anúncios importantes nos primeiros dias: o alemão Wolf Erlbruch venceu o Prêmio Astrid Lindgren, a editora colombiana Babel Libros levou o Best Children's Publisher of the Year e a escritora Marina Colasanti e a ilustradora Ciça Fittipaldi foram oficialmente anunciadas como indicadas ao Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infantil. Leia mais a seguir.

 

Prêmio Astrid Lindgren

Vencedor do Prêmio Astrid Lindgren Memorial Awards (Alma), um dos mais importantes do meio editorial, o alemão Wolf Erlbruch é autor de mais de dez obras e já ilustrou mais de 50 outras, sendo o livro Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito coco na cabeça dela, publicado pela Companhia das Letrinhas, um dos mais consagrados.

O estilo visual de Erlbruch é tomado por linhas fortes e pela precisão gráfica. Ele mistura diferentes técnicas, como aquarela, giz e colagem. Seu trabalho foi elogiado pelo júri por tornar as questões existenciais acessíveis aos leitores de todas as idades. “Com humor e calor profundamente enraizado em ideais humanísticos, o trabalho dele apresenta o universo na nossa escala. Ele é um mestre da arte do ilustrador, que honra a tradição enquanto abre novas portas criativas. Wolf Erlbruch é um cuidadoso visionário.”

O autor tem mais sete livros publicados pelo selo Letrinhas: O urso que queria ser pai, A senhora Meier e o Melro, Leonardo, O rei e o mar, A águia que não queria voar e A oficina de borboletas. “O mais importante em desenhar ou escrever para crianças é ser honesto sobre os seus próprios sentimentos e dizer sobre você, também”, afirmou, ao receber o reconhecimento na entrega que contou com a presença de ilustradores brasileiros, como Andrés Sandoval e Roger Mello (abaixo, na foto, com Mell Brites). Roger, vencedor do último Hans Christian Andersen, também foi indicado ao Alma.

 

Melhor editora

A colombiana Babel Libros foi laureada no Prêmio Best Children’s Publishers of the Year como melhor editora de livros infantis na América Latina. Quem foi receber o reconhecimento da editora foi María Osorio Caminata (abaixo, na foto), uma das responsáveis pela criação da casa editorial, em 2001. A Babel competiu com a Companhia das Letrinhas, única representante brasileira, e com as mexicanas Ediciones el Naranjo, Fondo de Cultura Económica e Tecolote.

Os demais vencedores foram Ganndal, da República da Guiné (África); Borim Press, da Coreia do Sul (Ásia); Orecchio Acerbo Editore, da Itália (Europa);  Kids Can Press, do Canadá (América do Norte), e Berbay Publishing, da Austrália (Oceania).

 

Brasileiras no Andersen

O Brasil também estará mais uma vez representado no Prêmio Hans Christian Andersen, a maior premiação para autores de livros infantis no mundo. As profissionais nomeadas para nos representar o país são a escritora Marina Colasanti e a ilustradora Ciça Fittipaldi.

Marina tem mais de 50 títulos publicados no Brasil e no exterior. São obras de poesia, contos, crônicas. Tratam de temas como literatura, o feminino, a arte, os problemas sociais e o amor. É uma das escritoras brasileiras mais premiadas, com diversos Jabutis, prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Biblioteca Nacional. Ciça Fittipaldi, também premiadíssima, já havia sido nomeada para o Andersen em 1995 e em outros anos.

 

Clap, clap, clap

E uma última notícia, ainda fresquinha, diretamente dos corredores da feira: o livro Clap, de Madalena Matoso, da casa editorial portuguesa Planeta Tangerina, foi publicado por diversas editoras. O livro chega ao mercado brasileiro em abril, pelo selo Letrinhas.

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