A floresta mágica de Drauzio Varella

 

Um rio carrega consigo muito mais do que a imensidão de peixes, plantas e pedras. Ele traz histórias, muitas. O rio Negro, por exemplo, convive com inúmeros mitos contados há gerações pelos povos indígenas e pelas populações tradicionais, ribeirinhas, que ali habitam. Aventuras como a de Curupira, a do Boto e da Mula sem Cabeça confundem-se com a realidade no terceiro maior rio do mundo, que percorre a região amazônica.

Essas histórias são recontadas no livro Nas águas do rio Negro, do médico e escritor Drauzio Varella. Ao percorrer a região para pesquisar plantas que serviriam de medicamento, ouviu diversas das narrativas que encantavam à noite seus netos, para quem dedica o livro. Era um jeito de compartilhar com mais crianças as lendas que revelam nossas raízes culturais.

Elas já haviam sido repetidas tantas vezes que o processo de escrita foi fácil. “Sentei e em uma semana escrevi o livro porque, na verdade, ele já estava decorado”, diz. E é aí que a história contada brinca com a escrita, como relata o autor. “Criança tem uma coisa interessante: você conta uma história e, quando elas gostam, querem que você a conte de novo, mas tem que ser com as mesmas palavras.”

No livro Nas águas do rio Negro, a floresta amazônica ganha um tom mágico, morada de temidos animais e fascinantes criaturas, como a Cobra Grande ou a onça-pintada. “As histórias amazônicas são tão fantásticas quanto a realidade amazônica”, afirma o autor, surpreso ao ver pela primeira vez o livro pronto e admirar as imagens em tons terrosos criadas por Odilon Moraes. “As ilustrações são o forte do livro”, completou. E ressaltou que Odilon foi sagaz ao fugir do verde ao ilustrar uma floresta.

Confira no vídeo acima o que ele fala sobre o livro e o tempo em que passou na Amazônia, região que tão bem conhece.

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